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Smart Cities23 de set. de 2026, 20:56

ANTT suspende testes de radares de velocidade média em rodovias federais

A Agência Nacional de Transportes Terrestres pausou os projetos-piloto de radar de velocidade média em oito estados para revisar sinalização e comunicação com o motorista. Nenhuma multa foi aplicada durante os testes, e a fiscalização tradicional continua valendo normalmente.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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Um teste que durou poucos dias

Se você dirige por rodovia federal concedida em oito estados, pode ter notado radares novos surgindo — e agora sumindo de novo. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT, o órgão federal que regula e fiscaliza concessões de rodovias e ferrovias) suspendeu os projetos-piloto de radar de velocidade média que ela mesma havia autorizado no início de setembro. A pausa foi formalizada em nove atos da Superintendência de Infraestrutura Rodoviária (Surod, a área da ANTT responsável por autorizar obras e equipamentos nas rodovias concedidas), assinados na sexta-feira (18) e publicados no Diário Oficial da União na segunda-feira (21).

Os testes estavam previstos para trechos no Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Ou seja: não é um caso isolado, é um programa nacional que mal começou e já foi pausado.

Foto: reprodução/autopapo.com.br

Por que parou, afinal?

A justificativa da agência é técnica: a pausa serve para reavaliar procedimentos, operação, sinalização e comunicação com os motoristas, de forma que as orientações fiquem mais claras nas pistas. Não houve explicação pública sobre falha específica de equipamento ou reclamação que tenha motivado a decisão — o que abre a pergunta que todo motorista deveria fazer: quanto custou montar essa estrutura em oito estados para, semanas depois, desligar tudo e recomeçar do zero?

A ANTT não divulgou valores do projeto-piloto. E não é um detalhe menor: são equipamentos, instalação, comunicação e operação em múltiplos trechos, tudo pago por concessionárias ou pelo poder público, direta ou indiretamente repassado ao usuário da via.

Foto: reprodução/portaldotransito.com.br

Ninguém foi multado — mas quem fiscaliza agora?

Um ponto tranquiliza o motorista: os atos que autorizaram os testes já proibiam expressamente usar os dados de velocidade média para aplicar multa. Foi um experimento técnico e educativo desde o início, e a ANTT confirma que nenhum usuário foi autuado com base nesse sistema.

Com a suspensão, quem segue de olho na velocidade nas estradas são os radares fixos tradicionais e a fiscalização em pontos isolados, que continuam operando normalmente em todo o país. Ou seja, a fiscalização não parou — só o modelo que calcula a velocidade média entre dois pontos, considerado mais eficaz para coibir excessos ao longo de trechos inteiros, e não apenas em pontos específicos.

E agora, quando volta?

A ANTT não deu prazo. A retomada depende de nova manifestação da própria Surod, sem data prevista. Como referência do potencial da tecnologia, a agência cita a BR-050, entre Minas Gerais e Espírito Santo, onde o sistema já opera desde 2022: queda de 35% nos acidentes com vítimas e zero mortes registradas no primeiro semestre de 2026. Resta saber se o novo piloto vai repetir esse resultado — ou se vai continuar suspenso enquanto o motorista segue esperando clareza sobre as regras do jogo.

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