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Mercado31 de ago. de 2026, 20:57

Após 15 anos e US$ 4,6 tri de valor de mercado, Tim Cook deixa comando da Apple

Tim Cook encerra nesta segunda-feira (31) sua passagem como CEO da Apple, cargo que ocupou desde 2011, e passa o comando a John Ternus, executivo com 25 anos de casa. Cook assume a cadeira de presidente do conselho (Executive Chairman) a partir de 1º de setembro.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que resume a era Cook

São quase 15 anos. Foi o tempo que Tim Cook passou no comando da Apple desde que assumiu o cargo em 2011, na sucessão direta de Steve Jobs. Nesse período, o lucro anual da empresa saltou de cerca de US$ 108 bilhões para mais de US$ 416 bilhões, e o valor de mercado da companhia passou de US$ 350 bilhões para US$ 4,6 trilhões — um dos maiores ciclos de valorização da história do mercado de ações. Nesta segunda-feira (31), esse capítulo chega ao fim: a partir de 1º de setembro, Cook deixa a cadeira de CEO e assume o posto de Executive Chairman (presidente do conselho), enquanto John Ternus se torna o oitavo CEO da história da Apple.

Quem é o novo CEO

Foto: reprodução/techcrunch.com

Ternus não é um nome de fora. Ele está na Apple desde 2001 — 25 anos de casa — e ocupa atualmente o cargo de vice-presidente sênior de Engenharia de Hardware. Formado em Engenharia Mecânica pela Universidade da Pensilvânia, ele supervisionou diretamente o desenvolvimento de produtos como iPhone, iPad, Mac, Apple Watch, AirPods e o Vision Pro. A escolha, anunciada em abril de 2026 e aprovada por unanimidade pelo conselho de administração, é o resultado de um processo de sucessão de longo prazo — e reforça a lógica da Apple de promover de dentro, mantendo continuidade na cultura de produto que marcou a era Jobs-Cook.

Em nota oficial, Cook disse que Ternus "tem a mente de um engenheiro, a alma de um inovador e o coração para liderar com integridade". Ternus, por sua vez, afirmou estar "profundamente grato pela oportunidade de levar adiante a missão da Apple".

Quem ganha e o que muda

Para o mercado, a transição chega sem sobressaltos: Cook permaneceu no cargo durante todo o verão do hemisfério norte para conduzir uma passagem gradual, e o próprio processo sucessório já vinha sendo mapeado havia tempo, com Ternus apontado como favorito. Isso reduz o risco de reação negativa de investidores, algo que costuma pesar sobre trocas de comando em empresas desse porte.

Quem ganha protagonismo agora é a área de hardware, historicamente o centro de gravidade da Apple — Ternus vem exatamente dessa cadeira, diferente de Cook, que fez carreira em operações e cadeia de suprimentos. A aposta da empresa é clara: manter o motor de inovação de produto na linha de frente da liderança, num momento em que a concorrência em IA e nos ciclos de hardware premium segue acirrada. Cook, com patrimônio estimado em US$ 2,2 bilhões e uma remuneração de US$ 74,6 milhões em 2025, segue no conselho como Executive Chairman — sai do dia a dia operacional, mas não da mesa de decisões da empresa mais valiosa do mundo.


Atualização (31/08, 15:54): Tim Cook divulgou sua mensagem final aos funcionários da Apple no último dia como CEO. No memo, ele escreveu que o momento era "algo que sempre soube que chegaria um dia, e ainda assim é difícil acreditar que chegou", agradecendo à equipe pelo carinho recebido: "eu amo esta empresa e o time por trás dela, e não poderia deixar este dia passar sem enviar uma nota para dizer o quanto sou grato".

Cook também exaltou a cultura da Apple, afirmando que "este lugar é a prova de que a cultura triunfa sobre tudo. Compartilhamos a crença de que o que construímos importa, e que temos tanto a oportunidade quanto a responsabilidade de deixar o mundo melhor do que o encontramos". Sobre seu sucessor, John Ternus, disse que "poucas pessoas entendem o que é preciso para construir produtos que mudam o mundo como John faz" e que está "muito animado com sua liderança". Em publicação nas redes sociais, completou: "meu título muda amanhã, mas o amor que tenho pela comunidade Apple nunca vai mudar".


Atualização (31/08, 15:54): A reorganização de liderança na Apple vai além da troca no cargo de CEO: Phil Schiller, uma das figuras mais influentes da empresa desde a era Steve Jobs, também deixou seus dois principais cargos executivos. Ele estava à frente da App Store e da organização dos eventos de produtos da Apple.

A App Store passa para a equipe de serviços comandada por Eddy Cue, enquanto a liderança dos eventos da Apple fica com Nola Weinstein, que já atuava como vice de Schiller nessa função desde 2023. Schiller, de 66 anos, permanece na empresa com o título de Apple Fellow, dedicado a iniciativas não especificadas — mantendo assim algum vínculo com a companhia mesmo após abrir mão de suas funções mais visíveis.

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