
Após 15 anos e US$ 4,6 tri de valor de mercado, Tim Cook deixa comando da Apple
Tim Cook encerra nesta segunda-feira (31) sua passagem como CEO da Apple, cargo que ocupou desde 2011, e passa o comando a John Ternus, executivo com 25 anos de casa. Cook assume a cadeira de presidente do conselho (Executive Chairman) a partir de 1º de setembro.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que resume a era Cook
São quase 15 anos. Foi o tempo que Tim Cook passou no comando da Apple desde que assumiu o cargo em 2011, na sucessão direta de Steve Jobs. Nesse período, o lucro anual da empresa saltou de cerca de US$ 108 bilhões para mais de US$ 416 bilhões, e o valor de mercado da companhia passou de US$ 350 bilhões para US$ 4,6 trilhões — um dos maiores ciclos de valorização da história do mercado de ações. Nesta segunda-feira (31), esse capítulo chega ao fim: a partir de 1º de setembro, Cook deixa a cadeira de CEO e assume o posto de Executive Chairman (presidente do conselho), enquanto John Ternus se torna o oitavo CEO da história da Apple.
Quem é o novo CEO
Foto: reprodução/techcrunch.com
Ternus não é um nome de fora. Ele está na Apple desde 2001 — 25 anos de casa — e ocupa atualmente o cargo de vice-presidente sênior de Engenharia de Hardware. Formado em Engenharia Mecânica pela Universidade da Pensilvânia, ele supervisionou diretamente o desenvolvimento de produtos como iPhone, iPad, Mac, Apple Watch, AirPods e o Vision Pro. A escolha, anunciada em abril de 2026 e aprovada por unanimidade pelo conselho de administração, é o resultado de um processo de sucessão de longo prazo — e reforça a lógica da Apple de promover de dentro, mantendo continuidade na cultura de produto que marcou a era Jobs-Cook.
Em nota oficial, Cook disse que Ternus "tem a mente de um engenheiro, a alma de um inovador e o coração para liderar com integridade". Ternus, por sua vez, afirmou estar "profundamente grato pela oportunidade de levar adiante a missão da Apple".
Quem ganha e o que muda
Para o mercado, a transição chega sem sobressaltos: Cook permaneceu no cargo durante todo o verão do hemisfério norte para conduzir uma passagem gradual, e o próprio processo sucessório já vinha sendo mapeado havia tempo, com Ternus apontado como favorito. Isso reduz o risco de reação negativa de investidores, algo que costuma pesar sobre trocas de comando em empresas desse porte.
Quem ganha protagonismo agora é a área de hardware, historicamente o centro de gravidade da Apple — Ternus vem exatamente dessa cadeira, diferente de Cook, que fez carreira em operações e cadeia de suprimentos. A aposta da empresa é clara: manter o motor de inovação de produto na linha de frente da liderança, num momento em que a concorrência em IA e nos ciclos de hardware premium segue acirrada. Cook, com patrimônio estimado em US$ 2,2 bilhões e uma remuneração de US$ 74,6 milhões em 2025, segue no conselho como Executive Chairman — sai do dia a dia operacional, mas não da mesa de decisões da empresa mais valiosa do mundo.
Atualização (31/08, 15:54): Tim Cook divulgou sua mensagem final aos funcionários da Apple no último dia como CEO. No memo, ele escreveu que o momento era "algo que sempre soube que chegaria um dia, e ainda assim é difícil acreditar que chegou", agradecendo à equipe pelo carinho recebido: "eu amo esta empresa e o time por trás dela, e não poderia deixar este dia passar sem enviar uma nota para dizer o quanto sou grato".
Cook também exaltou a cultura da Apple, afirmando que "este lugar é a prova de que a cultura triunfa sobre tudo. Compartilhamos a crença de que o que construímos importa, e que temos tanto a oportunidade quanto a responsabilidade de deixar o mundo melhor do que o encontramos". Sobre seu sucessor, John Ternus, disse que "poucas pessoas entendem o que é preciso para construir produtos que mudam o mundo como John faz" e que está "muito animado com sua liderança". Em publicação nas redes sociais, completou: "meu título muda amanhã, mas o amor que tenho pela comunidade Apple nunca vai mudar".
Atualização (31/08, 15:54): A reorganização de liderança na Apple vai além da troca no cargo de CEO: Phil Schiller, uma das figuras mais influentes da empresa desde a era Steve Jobs, também deixou seus dois principais cargos executivos. Ele estava à frente da App Store e da organização dos eventos de produtos da Apple.
A App Store passa para a equipe de serviços comandada por Eddy Cue, enquanto a liderança dos eventos da Apple fica com Nola Weinstein, que já atuava como vice de Schiller nessa função desde 2023. Schiller, de 66 anos, permanece na empresa com o título de Apple Fellow, dedicado a iniciativas não especificadas — mantendo assim algum vínculo com a companhia mesmo após abrir mão de suas funções mais visíveis.
Atualização (01/09, 00:57): Atualização (1/9/2026): A saída de Tim Cook do comando da Apple foi acompanhada por uma nova baixa no alto escalão da empresa: Phil Schiller, executivo que comandava a App Store desde 2015 e está na Apple desde 1987 (com um intervalo de quatro anos), deixou o cargo à frente da loja de aplicativos e também a supervisão dos eventos de produtos da companhia. Segundo a TechCrunch, ele passa a atuar como "Apple Fellow", em projetos não especificados — um posto visto por pessoas próximas à empresa como um passo a mais rumo à aposentadoria definitiva de Schiller.
A rotina da App Store ficará sob responsabilidade direta de Carson Oliver, que já trabalha há mais de 14 anos na divisão, dentro da área de serviços liderada por Eddy Cue. Já a equipe de eventos passa a ser conduzida por Nola Weinstein, ex-braço direito de Schiller desde 2023.
O movimento se soma a uma sequência de saídas no alto comando da Apple ao longo do último ano: o ex-diretor de operações Jeff Williams e o ex-CFO Luca Maestri se aposentaram em 2025; a vice-presidente Lisa Jackson (meio ambiente e políticas sociais) deixou o cargo em janeiro de 2026; o executivo de IA e aprendizado de máquina John Giannandrea se aposentou em abril de 2026; e a chefe de assuntos jurídicos e governamentais, Katherine Adams, tem saída prevista até o fim de 2026. Agora sob o comando de John Ternus, a Apple enfrenta o desafio de reconstruir parte de sua cúpula executiva em meio a essa onda de saídas.
Atualização (01/09, 06:35): Após a saída de Tim Cook do comando da Apple nesta terça-feira (1º), repercutiu a avaliação do investidor Warren Buffett, da Berkshire Hathaway — maior acionista individual histórica da fabricante do iPhone —, sobre o executivo. Em fala na assembleia anual da Berkshire, em maio de 2026, Buffett disse que "ninguém além de Steve [Jobs] poderia ter criado a Apple, mas ninguém além de Tim [Cook] poderia tê-la desenvolvido como ele fez".
Sob Cook, que se tornou o CEO mais longevo da história da Apple, a empresa chegou a valer US$ 4,6 trilhões em bolsa. Analistas citados na cobertura apontam o avanço da inteligência artificial como o principal risco à posição de domínio construída pela empresa nos últimos 15 anos.
Atualização (01/09, 06:35): Efetivado nesta terça-feira (1º) como novo CEO da Apple, John Ternus, de 50 anos, chega ao cargo após 25 anos de casa — os últimos 13 deles como vice-presidente sênior de engenharia de hardware, à frente de linhas como iPhone, Mac e Vision Pro. Ele também passa a integrar o conselho de administração da empresa a partir da mesma data. Tim Cook segue na Apple como presidente do conselho (chairman).
Segundo reportagem da Bloomberg, o principal desafio de Ternus será acelerar a resposta da Apple na corrida por inteligência artificial, área em que a empresa é vista como atrasada frente a rivais como Google e OpenAI.
Atualização (01/09, 09:43): Atualização (01/09/2026): John Ternus assumiu oficialmente nesta segunda-feira (1º de setembro) o cargo de CEO da Apple, em seu primeiro dia à frente da empresa — a primeira troca no comando desde que Tim Cook assumiu em 2011, sucedendo Steve Jobs. Ternus, de 49 anos, ocupava até então o cargo de vice-presidente sênior de Engenharia de Hardware da Apple, posição que exercia desde 2021, e está na empresa desde 2001, tendo passado por praticamente todas as linhas de produto da companhia, incluindo iPhone, iPad, Mac e AirPods.
Em memorando interno enviado aos funcionários em seu último dia como CEO, Tim Cook fez um elogio público ao sucessor, afirmando que "poucas pessoas entendem o que é preciso para construir produtos que mudam o mundo como John entende". Cook também reforçou que sua saída do cargo não significa um afastamento da empresa: "Eu não estou deixando a Apple. Mas estou deixando um cargo que amei profundamente", disse, acrescentando estar "em paz" com a decisão. Cook segue na companhia como presidente executivo do conselho (executive chairman).
A chegada de Ternus ao comando ocorre em um momento de pressão sobre a Apple para acelerar sua estratégia de inteligência artificial, além de enfrentar desafios como aumento de custos de memória — cenário que deve pautar os primeiros passos do novo CEO à frente da empresa.
Atualização (01/09, 12:44): ## Ternus assume oficialmente o comando
John Ternus tomou posse como CEO da Apple nesta terça-feira (1º de setembro), no mesmo dia em que Tim Cook passou a ocupar o cargo de presidente executivo (executive chairman) do conselho da empresa. A mudança havia sido anunciada em 20 de abril, com aprovação unânime do conselho.
Aos 51 anos, Ternus está na Apple desde 2001 e vinha comandando a Engenharia de Hardware como vice-presidente sênior, à frente de projetos como os chips Apple Silicon, Apple Watch, AirPods e Apple Vision Pro. Em comunicado, Cook disse que o sucessor "tem a mente de um engenheiro, a alma de um inovador, e o coração para liderar com integridade e honra", enquanto o presidente do conselho, Arthur Levinson, afirmou que Ternus é "o melhor líder possível para suceder Tim".
O primeiro grande teste público de Ternus à frente da Apple já tem data marcada: o evento de lançamento do iPhone, em 9 de setembro, quando a empresa deve apresentar a nova linha de iPhones.