
Após 25 anos, nova fibra aprovada nos EUA quer substituir a cashmere
A FTC americana aprovou a renoa, primeira nova classificação de fibra têxtil em quase 25 anos, feita a partir de resíduos de penas e sobras de cashmere e lã. A startup Everbloom promete lançar a fibra no varejo em blends no segundo trimestre de 2027.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa: 25 anos sem uma fibra nova
A última vez que a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC) aprovou uma classificação genérica de fibra têxtil foi o PLA, em 2002. Agora, quase 25 anos depois, o órgão aprovou a renoa, criada pela Everbloom, startup de materiais que desenvolveu a fibra a partir de resíduos têxteis regenerados. É um número raro no setor: a indústria de fibras sintéticas e regeneradas praticamente não via uma nova categoria reconhecida oficialmente desde o início dos anos 2000.
Como a renoa é feita
Foto: reprodução/techcrunch.com
A fibra é produzida a partir de fontes de proteína residual — incluindo sobras de cashmere e lã, além de resíduos de penas e plumas da indústria de roupas de cama. O processo tritura esses resíduos ricos em queratina até um pó, que é combinado a um biopolímero biodegradável e depois extrudado no comprimento e diâmetro que imitam fibras naturais. Por trás da engenharia está a Braid.AI, plataforma proprietária de inteligência artificial da Everbloom que combina modelagem preditiva com engenharia termoplástica de proteínas para otimizar a transformação da matéria-prima em fibra de alto desempenho.
Quem ganha e quem sente a pressão
Simardev Gulati, cofundador e CEO da Everbloom, liderou os quase três anos de desenvolvimento do material, reunindo cientistas de materiais, engenheiros químicos e estilistas. Quem ganha é a própria indústria de resíduos têxteis, que passa a ter destino nobre para sobras hoje descartadas; quem sente a pressão são os produtores tradicionais de cashmere premium, já que a renoa chega prometendo ser lavável e mais acessível.
O que vem a seguir
O lançamento comercial é esperado para o segundo trimestre de 2027, provavelmente em blends com cerca de 20% de renoa e 80% de cashmere nas primeiras peças. Não há valores de investimento ou aporte divulgados até agora — o que existe, por ora, é a aprovação regulatória que abre a porta para a fibra entrar no mercado de moda americano como alternativa mais barata e sustentável ao cashmere tradicional.