
Apple bate R$ 25,2 trilhões e cobra avanço em IA do novo CEO
A Apple fechou o pregão de 14 de outubro valendo US$ 5,005 trilhões, a segunda empresa da história a cruzar essa linha. A conta agora é de John Ternus, que assumiu de Tim Cook há pouco mais de um mês com a missão de tirar a Siri do atraso.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 5,005 trilhões. Esse é o valor que a Apple colocou no fechamento do pregão de 14 de outubro, em Nova York, tornando-se apenas a segunda empresa da história — depois da Nvidia — a terminar um dia de negociação acima da marca de US$ 5 trilhões. Em reais, são R$ 25,2 trilhões, mais do que o PIB brasileiro de vários anos somados. A ação já havia furado o teto seis vezes durante o pregão, mas nunca tinha fechado o dia lá em cima.
Treze vezes mais valiosa
O número ajuda a entender o tamanho do legado que Tim Cook deixa. Em 15 anos de comando, até sair em 31 de agosto, ele multiplicou o valor de mercado da Apple por 13 vezes e quase quadruplicou as vendas anuais de iPhone. A receita de serviços — App Store, iCloud, assinaturas — saltou de US$ 10 bilhões para mais de US$ 100 bilhões por ano, enquanto Apple Watch e AirPods juntos faturam outros US$ 30 bilhões. Cook também devolveu US$ 1 trilhão a acionistas em dividendos e recompras de ações, mantendo gastos de capital relativamente contidos se comparados aos rivais que despejam fortunas em data centers de IA.
Quem herda o problema
Quem sai ganhando com a marca histórica é o próprio mercado acionário da Apple, que mantém a coroa ao lado da Nvidia nesse clube bilionário. Quem herda a pressão é John Ternus, o novo CEO, promovido após anos à frente da engenharia de hardware. A Apple segue sem um modelo de IA de ponta capaz de competir com os líderes do setor, e a Siri continua atrás dos assistentes virtuais rivais — mesmo após o lançamento, no hemisfério norte, de uma versão nova desenvolvida em parceria com o Google. Enquanto isso, a OpenAI tem recrutado dezenas de ex-funcionários da Apple para reforçar sua própria estratégia de hardware, um sinal de que a disputa por talento também pesa contra a gigante de Cupertino.
A conta dos chips
No fio da navalha está também a cadeia de suprimentos: restrições no fornecimento de chips vêm pressionando os preços de iPhone, Mac e iPad, e a ação da Apple já avançou 25% desde os primeiros reajustes. A aposta da empresa para os próximos meses passa pelo iPhone Duo, modelo dobrável em desenvolvimento, e por recursos de IA ainda não detalhados. O valor de mercado recorde compra tempo, mas não resolve o problema de fundo: a Apple vale mais do que nunca por tudo que já construiu, não pelo que vem a seguir em inteligência artificial.