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Mercado13 de out. de 2026, 01:22

Apple corta em até 15% pedidos de componentes do iPhone 18 Pro

Segundo o Nikkei Asia, a Apple reduziu os pedidos de componentes para outubro em pelo menos 15% diante da escalada nos custos de memória e da demanda mais fraca pelos modelos Pro.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa: -15%

A Apple cortou em pelo menos 15% os pedidos de componentes do iPhone 18 Pro e do iPhone 18 Pro Max para outubro, segundo reportagem do Nikkei Asia, jornal de negócios japonês que cita fontes da cadeia de suprimentos. O corte confirma um padrão que o mercado já vinha monitorando desde o início de setembro: a fabricante ficou mais cauteloso com os pedidos de produção assim que os preços dos chips de memória começaram a disparar.

A conta por trás da decisão é direta. O custo estimado da memória no iPhone 18 Pro de 256 GB subiu quase 400% em um ano, e os chips de memória passaram a responder por 34% do custo total dos componentes do aparelho — ante apenas 10% antes da escalada. Para repassar parte dessa pressão, a Apple elevou o preço dos modelos em US$ 100 em relação à geração anterior. No Brasil, o iPhone 18 Pro parte de R$ 11.999 e o iPhone 18 Pro Max, de R$ 12.999.

Foto: reprodução/macrumors.com

Demanda mais fraca, efeito direto

O aumento de preço, somado ao cenário macroeconômico, esfriou a procura entre o fim de agosto e outubro — justamente a janela mais sensível para os resultados do trimestre de lançamento. É esse descompasso entre custo de fabricação e apetite do consumidor que levou a Apple a pedir aos fornecedores que reduzissem os volumes encomendados.

Quem sente o corte na cadeia

A raiz do problema está fora do mercado de smartphones. Fabricantes de memória estão priorizando contratos mais rentáveis com data centers de inteligência artificial, que pagam mais por capacidade de armazenamento e processamento. Isso encarece o insumo para qualquer fabricante de celular, mas pesa mais sobre quem depende de componentes premium, como é o caso dos modelos Pro da Apple.

Nessa equação, perdem os fornecedores de componentes para iPhone que já haviam dimensionado capacidade para atender aos pedidos originais e agora veem a demanda reduzida batendo na porta mais cedo que o esperado. Ganham, por ora, os fabricantes de memória com portfólio voltado a servidores e IA, que conseguem repassar preços mais altos independentemente do que acontece no mercado de smartphones.

O que observar a seguir

O movimento da Apple é um termômetro de como o boom de infraestrutura de IA está reconfigurando prioridades dentro da própria cadeia de fornecimento de eletrônicos de consumo. Se o custo de memória continuar pressionado, a tendência é que outras fabricantes de smartphones premium sigam o mesmo caminho: repassar preço, cortar pedido, e esperar a demanda reagir.


Atualização (10/10, 06:50): Segundo o Tecnoblog, dois fatores ajudam a explicar a demanda mais fraca que levou a Apple a cortar pedidos de componentes do iPhone 18 Pro: a alta de preço dos aparelhos e a mudança no calendário de lançamentos. O iPhone 18 Pro e o Pro Max chegaram ao mercado custando R$ 11.999 e R$ 12.999, respectivamente, cerca de 4% mais caros que a geração anterior — reajuste puxado pelo encarecimento dos chips de memória, pressionados pela demanda por componentes para data centers de IA.

O outro fator é o calendário: pela primeira vez, a Apple lançou em setembro apenas os modelos mais caros — iPhone 18 Pro, Pro Max e o dobrável iPhone Duo —, deixando o iPhone 18 "padrão" e o novo iPhone Air para chegar somente na primavera (do hemisfério norte). Essa concentração da oferta inicial só nas versões premium, mais caras, também ajudaria a explicar a redução nos pedidos de componentes para a linha Pro.

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