
Apple demite mais de 200 funcionários das equipes de Siri e Vision Pro
A Apple cortou mais de 200 vagas nas equipes de Siri e Vision Pro, redirecionando recursos para óculos inteligentes e novos projetos de IA. Times de jogos e vídeo imersivo do headset foram os mais atingidos.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
Mais de 200 vagas fora do mapa
A Apple eliminou mais de 200 postos de trabalho nas equipes responsáveis pela Siri e pelo Vision Pro, segundo reportagem da Bloomberg replicada por veículos como 9to5Mac e MacRumors. A divisão é quase simétrica: cerca de 100 cortes atingiram o time do headset de realidade mista e outros 100 saíram da Siri e de áreas de software ligadas a inteligência artificial, incluindo o grupo Intelligent Systems Experience, responsável por integrar recursos de IA aos dispositivos da empresa.
Em nota, a Apple confirmou a reestruturação e afirmou que, embora criará novos cargos como parte da mudança, ela também impactará "um número limitado de funções existentes", acrescentando estar "comprometida em apoiar" os funcionários atingidos durante a transição.
Foto: reprodução/macrumors.com
Quem perde
O recorte mais duro ficou com o Vision Pro. A equipe de jogos para o headset foi, segundo as fontes, praticamente extinta, e o grupo que produz conteúdo em vídeo imersivo — material que pode custar milhões de dólares para ser filmado — também foi reduzido. O motivo é direto: a base instalada do dispositivo, lançado em 2024 por US$ 3.499, nunca decolou o suficiente para justificar o investimento contínuo nesse tipo de produção.
Do lado da Siri, o corte tem outra origem. A reformulação do assistente com uma arquitetura de IA renovada, cujo lançamento em beta é esperado ainda em 2026, mudou o perfil técnico exigido da equipe — o que abriu espaço para desligamentos mesmo em um time que segue estratégico para a empresa.
Quem ganha
Os recursos liberados devem migrar para as apostas que a Apple está priorizando: óculos inteligentes, categoria que a empresa pretende apresentar formalmente na WWDC de 2027, e a nova geração de projetos de IA generativa embarcada nos dispositivos. A companhia também mantém planos para uma atualização do Vision Pro prevista para o fim de 2028, sinal de que o hardware não foi abandonado — apenas reduzido ao essencial enquanto o dinheiro e o time técnico se concentram onde a Apple vê crescimento mais imediato: os óculos inteligentes, resposta direta ao avanço de concorrentes como Meta nesse mercado.
A leitura de mercado é a de sempre em ciclos de corte corporativo: menos gente em apostas que não performaram, mais fôlego para o próximo produto que a empresa aposta ser o vencedor.
Atualização (22/08, 07:02): Atualização: novos detalhes divulgados pela Bloomberg revelam quais equipes específicas do Vision Pro foram mais afetadas pelos cortes de mais de 200 vagas na Apple. Segundo a reportagem, a empresa está encerrando em grande parte sua equipe de jogos (gaming team) do Vision Pro e reduzindo o time responsável pela produção de conteúdo em vídeo imersivo para o headset.
A Apple justificou internamente as mudanças como um realinhamento de prioridades com base no uso real do dispositivo pelos clientes, direcionando recursos para outros produtos futuros. Segundo a Bloomberg, os cortes na produção de vídeo imersivo têm motivação também financeira: cada vídeo em 3D exige múltiplas equipes de funcionários e terceirizados, e um único episódio de uma série imersiva pode custar vários milhões de dólares — despesa que pesa diante do número ainda limitado de usuários ativos do Vision Pro.
A empresa afirmou aos funcionários que o Vision Pro e o sistema VisionOS continuam no roteiro de produtos, com um novo modelo do headset previsto para até 2028. No curto prazo, porém, o foco da Apple está no lançamento de óculos inteligentes (smart glasses) que não terão suporte a vídeo imersivo nem a jogos mais avançados.