tech & talk
Mercado09 de out. de 2026, 11:03

Apple deve pagar mais US$ 184 milhões em juros a Masimo por patente do Watch

Um juiz federal determinou que a Apple pague US$ 184 milhões (cerca de R$ 942 milhões) em juros sobre a condenação de US$ 634 milhões já imposta à empresa por violação de patente de monitoramento cardíaco do Apple Watch. A conta total da disputa com a Masimo sobe para US$ 818 milhões.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

Compartilhar

O número que importa

São US$ 184 milhões — cerca de R$ 942 milhões na cotação atual. É esse o valor extra que a Apple foi condenada a pagar em juros à Masimo, fabricante de equipamentos médicos e sensores de oxigenação no sangue, num processo que já se arrasta por anos no tribunal federal da Califórnia. Com a adição, a conta total da fabricante do iPhone na disputa sobe para aproximadamente US$ 818 milhões, o equivalente a algo em torno de R$ 4,19 bilhões.

A decisão foi do juiz federal James V. Selna, da Corte Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Central da Califórnia, nesta segunda-feira (6/10). Ele rejeitou o argumento da Apple de que o pagamento de juros representaria um enriquecimento sem causa para a Masimo, e aplicou a taxa de captação da própria Masimo — composta anualmente desde o início da infração — em vez do percentual de 7% que a empresa de tecnologia médica havia pedido. Se o pedido da Masimo tivesse sido aceito, os juros teriam chegado a US$ 243 milhões.

Foto: reprodução/news.bloomberglaw.com

Como a briga começou

A disputa gira em torno da patente de número 10.433.776, da Masimo, relacionada a recursos de monitoramento fisiológico — no caso, a notificação de frequência cardíaca do Apple Watch. O histórico é longo: em 2023, a Comissão de Comércio Internacional dos EUA (ITC) já havia determinado que a Apple removesse a função de oxigenação do sangue de dois modelos do relógio. Em agosto de 2025, a Apple redesenhou o recurso para reintroduzi-lo no mercado americano sem infringir a patente. Mas em novembro do mesmo ano, um júri entendeu que a versão anterior do produto violava a propriedade intelectual da Masimo e fixou a indenização original em US$ 634 milhões. Em março de 2026, a Apple chegou a vencer um recurso envolvendo a versão redesenhada do relógio — mas isso não afetou a condenação já definida sobre os modelos antigos.

Quem sai ganhando e o que fica para a Apple

A Masimo, empresa bem menor que a Apple e historicamente focada em sensores hospitalares de oxigenação, converte uma disputa de patente em uma vitória financeira robusta e consolida a tese de que a gigante de Cupertino infringiu tecnologia proprietária ao lançar recursos de saúde no Watch. Para a Apple, o valor de US$ 818 milhões é administrável diante do caixa da empresa, mas o caso reforça um padrão recente de atritos regulatórios e judiciais em torno das funções de saúde do wearable — um dos pilares de vendas da linha nos últimos anos. A Apple ainda pode recorrer da decisão sobre os juros, mas, por ora, a conta da batalha de patentes com a Masimo é a mais alta já registrada contra a empresa nesse front específico do Apple Watch.

appleapple watchmasimopatentesdisputa judicial
Compartilhar