
Apple diz achar provas de destruição de dados em caso contra OpenAI
Análise forense de MacBook de ex-engenheiro da Apple mostra uso de esquema elétrico confidencial em projeto da OpenAI e tentativa de apagar evidências após início de investigação interna.
Por Marcos Silva · Repórter de plantão
A Apple apresentou à Justiça dos Estados Unidos um novo conjunto de provas contra a OpenAI e um ex-funcionário acusado de roubo de segredos comerciais. A empresa classificou o material como "evidências chocantes".
O documento é parte do processo movido pela Apple em julho contra a OpenAI e ex-funcionários que migraram para a concorrente. O caso girava até então em torno de Chang Liu, ex-engenheiro sênior de sistemas elétricos que deixou a Apple em janeiro para trabalhar na OpenAI.
O que a análise do MacBook mostrou
Foto: reprodução/engadget.com
Advogados de Liu entregaram recentemente à Apple o notebook de trabalho usado por ele na empresa. A perícia forense apontou que Liu baixou um esquema elétrico confidencial e o usou em suas atividades na OpenAI. Segundo a Apple, Liu e outras pessoas na OpenAI tinham conhecimento do acesso não autorizado aos arquivos.
Simulação e sincronização via iCloud
De acordo com a Apple, Liu usou o esquema elétrico em março para rodar uma simulação no LTspice, software de engenharia elétrica. A simulação, feita em um Mac mini, gerou ao menos três arquivos de saída enviados ao iCloud, que foram sincronizados depois com o MacBook — foi esse rastro que permitiu à Apple identificar o uso do esquema.
Acusação de destruição de provas
A Apple afirma que, em junho, Liu soube que estava sob investigação interna. A partir daí, ele teria trocado mensagens com a colega de OpenAI Yu-Ting "Alyssa" Peng sobre a possibilidade de "restaurar" os dispositivos fornecidos à Apple para análise. Para a empresa, esse procedimento apagaria registros, metadados e dados de uso relevantes para a perícia. Com base nisso, a Apple pede à Justiça produção acelerada de provas e acesso ao Mac mini usado nas simulações.
Em resposta, a OpenAI argumentou que Liu acessou os arquivos da Apple após deixar a empresa para ajudar ex-colegas que pediram assistência, e que o problema de "acesso residual" a sistemas corporativos é comum no setor.
Pedido de liminar
A Apple busca uma liminar que impeça a OpenAI de desenvolver hardware baseado em tecnologia da empresa enquanto o processo corre na Justiça americana. Reportagens do setor também apontam que mais de 400 ex-funcionários da Apple hoje trabalham na OpenAI.