
Apple endurece regras da App Store contra apps que geram nudes falsos
Depois da polêmica envolvendo o chatbot Grok no X, a Apple atualizou as regras da App Store para exigir que apps com IA previnam e removam imagens íntimas criadas sem consentimento, e passou a punir apps que escondem esse recurso até depois de aprovados.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
A Apple atualizou, em 16 de outubro de 2026, as diretrizes de revisão da App Store para fechar o cerco contra os chamados apps "nudify" — ferramentas que usam inteligência artificial para gerar imagens íntimas de pessoas reais sem o consentimento delas. Duas mudanças concentram a atualização: a regra 1.2 passa a exigir que desenvolvedores de apps com geração de conteúdo por IA "previnam e removam proativamente" imagens íntimas não consensuais de suas plataformas; e a nova regra 2.5.19 proíbe apps de esconderem funcionalidades, incluindo casos em que o app passa pela revisão da Apple sem revelar que tem recursos de "nudificação", só ativando-os depois de aprovado.
A atualização vem depois de meses de pressão sobre a Apple. Em abril de 2026, usuários do X usaram o Grok — chatbot de inteligência artificial da xAI, empresa de Elon Musk, integrado à rede social — para criar imagens sexualizadas não consensuais de mulheres e, segundo relatos, também de menores. Na época, a Apple chegou a avisar privadamente a xAI de que removeria o Grok da App Store caso o problema não fosse corrigido; a xAI implementou salvaguardas e o aplicativo permaneceu disponível. Em julho de 2026, autoridades de São Francisco chegaram a determinar que a Apple retirasse da loja oito apps capazes de gerar esse tipo de imagem. Um levantamento da Tech Transparency Project havia identificado 47 apps desse tipo na App Store e 55 no Google Play.
Foto: reprodução/9to5mac.com
Quem é afetado
A mudança afeta diretamente desenvolvedores de apps de IA generativa, que agora precisam comprovar filtros contra esse uso sob risco de remoção da loja e até encerramento da conta de desenvolvedor na Apple. Mas o impacto maior é sobre quem pode ser alvo dessas imagens: majoritariamente mulheres, mas também menores e qualquer pessoa cuja foto circule publicamente nas redes, já que esses apps costumam funcionar a partir de fotos comuns, sem nudez, retiradas de perfis sociais.
O que fazer agora
Quem descobrir uma imagem íntima falsa feita sem consentimento pode:
- Denunciar o conteúdo diretamente na plataforma onde ele foi publicado (X, Instagram, grupos de mensagem);
- Denunciar o app responsável diretamente na App Store, usando a opção de reportar problemas na página do aplicativo;
- Guardar prints e links como prova antes de pedir a remoção do conteúdo;
- Procurar a Polícia Civil ou a Delegacia de Crimes Cibernéticos do seu estado, já que a divulgação desse tipo de imagem pode configurar crime no Brasil.
Vale lembrar que a nova regra da Apple não elimina o problema de uma hora para outra: apps que escondem a função de "nudificação" até depois de aprovados são exatamente o tipo de comportamento que a própria Apple reconhece ter dificuldade de flagrar na revisão inicial. Por isso, desconfie de apps de edição de fotos com avaliações recentes suspeitas ou descrições vagas demais sobre o que realmente fazem.