
Apple fatura US$ 114,5 bi puxada por iPhone, mas memória pesa no estoque
Resultado do quarto trimestre fiscal é o melhor da história da Apple, com iPhone batendo recorde de receita mesmo sem o Duo nas lojas. Estoque disparou 154% com custo de chips de memória, e a empresa já avisa que a pressão sobre preços deve continuar.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 114,5 bilhões: o maior trimestre da história da Apple
A Apple faturou US$ 114,5 bilhões (cerca de R$ 622,7 bilhões) no quarto trimestre fiscal de 2026, alta de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior. É o melhor resultado trimestral da história da empresa, superando as projeções de Wall Street. O lucro líquido somou US$ 30,7 bilhões, também 12% acima do ano anterior, com lucro por ação de US$ 2,10, 14% maior.
O trimestre marcou a estreia de John Ternus, que assumiu o cargo de CEO em 1º de setembro, sucedendo Tim Cook.
Foto: reprodução/theverge.com
iPhone bate recorde mesmo sem o Duo
Quem puxou o resultado foi o iPhone: a divisão faturou US$ 57,58 bilhões, alta de 17% na comparação anual — o maior valor já registrado para um trimestre de setembro. O dado chama atenção porque o período contou com apenas oito dias de vendas do iPhone 18 Pro e nem incluiu o iPhone Duo, o primeiro dobrável da Apple, que só chegou às lojas depois do fechamento do trimestre fiscal.
Estoque dispara 154% com memória cara
Foto: reprodução/techcrunch.com
O lado menos comemorado do balanço é o estoque da Apple, que saltou 154,3% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, chegando a US$ 14,54 bilhões, alta de 31,1% só em relação ao trimestre anterior. A causa é o custo disparado de chips de memória, inflado pela demanda da indústria de inteligência artificial. "O que estamos vendo com os preços de memória agora é sem precedentes", afirmou o diretor de operações, Sabih Khan.
A empresa já havia reajustado preços de Mac e iPad em junho e de iPhones em setembro, e sinalizou que a pressão deve se intensificar no trimestre atual, o de dezembro — com margem bruta projetada entre 45% e 46%. A companhia não descartou novos aumentos de preço nos próximos lançamentos.
O que isso significa para o consumidor
O cenário é ambíguo: de um lado, a Apple nunca vendeu tanto iPhone em um trimestre de setembro; de outro, o custo de produção dos aparelhos está subindo de forma que a própria empresa classifica como inédita. Com o Duo ainda em fase de ramp-up e a demanda por memória da IA pressionando toda a cadeia de fornecedores, o próximo capítulo dessa história deve aparecer no bolso do consumidor já no trimestre de fim de ano.
Atualização (03/11, 00:44): Na mesma teleconferência de resultados de segunda-feira à noite, a Apple sinalizou um novo possível motor de receita: parcerias e oportunidades com aplicativos de inteligência artificial de terceiros. Kevan Parekh, CFO da Apple, disse que a empresa vê "oportunidades em aplicativos e parcerias de terceiros, bem como oportunidades próprias" ligadas à IA, segundo a TechCrunch.
Parekh não detalhou que tipo de oportunidade seria essa. Segundo a Reuters, investidores especulam se a Apple poderia distribuir agentes de IA de terceiros pela App Store e ficar com uma comissão sobre a receita gerada — um modelo semelhante ao que já existe para apps e assinaturas. A App Store teve, no trimestre encerrado em setembro, desempenho parecido ao do ano anterior, com crescimento de dois dígitos em assinaturas de terceiros.
O movimento ocorre em um momento de pressão regulatória sobre a loja de aplicativos da Apple, incluindo queda na receita de comissões nos Estados Unidos e mudanças impostas por regulações no Brasil e no Japão, além dos efeitos da disputa judicial com a Epic Games, que forçou a empresa a permitir sistemas de pagamento alternativos.