
Apple Maps começa a vender anúncios e abre nova frente de receita
Empresas já podem pagar para aparecer em destaque nos resultados de busca do Apple Maps nos EUA e Canadá, sem opção de desativar os anúncios. A mudança mira o mercado de buscas locais dominado pelo Google.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa: um anúncio por busca, sem botão de desligar
A Apple começou a exibir anúncios pagos no Apple Maps nos Estados Unidos e no Canadá, com veiculação em duas frentes: na seção "suggested places" (lugares sugeridos), exibida assim que o usuário toca na barra de busca, e no topo dos resultados quando uma empresa compra a palavra-chave relevante. Cada conjunto de resultados mostra apenas um anúncio patrocinado, identificado com uma tag azul "Ad". Diferente de outros formatos publicitários da Apple, não existe configuração para desativar os anúncios no app.
Contexto: a promessa de março virou produto em agosto
Foto: reprodução/digitaltrends.com
A Apple havia anunciado em março de 2026 a criação do Apple Business, programa que permitiria empresas pagarem por posições de destaque no Maps. As primeiras compras de espaço publicitário começaram em 14 de agosto, e o rollout efetivo dos anúncios para os usuários começou nos últimos dias, com expansão prevista para as próximas semanas. Categorias sensíveis — serviços domésticos, fiança e caixas eletrônicos de criptomoedas — ficam de fora.
Quem ganha: Apple mira diversificar receita e comerciantes locais
O movimento amplia o braço publicitário da Apple, que já fatura bilhões com anúncios na App Store, e agora replica no Maps um modelo consolidado pelo Google Maps há anos. Para pequenos e médios comerciantes, é mais um canal de aquisição de clientes com intenção de compra alta. A Apple reforça que dados de localização e interação com anúncios não são associados à Apple ID nem compartilhados com terceiros.
Quem perde: usuário sem opção de opt-out e o Google no radar
A ausência de um botão para desativar os anúncios já gerou críticas — é uma mudança de comportamento em um app até então percebido como um refúgio sem publicidade. Do ponto de vista competitivo, a Apple entra de forma direta na disputa por orçamento de mídia local que hoje é dominada pelo Google, um mercado bilionário de buscas com intenção comercial.