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Mercado30 de set. de 2026, 01:33

Apple Pay chega à Índia hoje, mas com só 20 pontos-base de saúde comercial

O Apple Pay entra em operação na Índia nesta terça com um único parceiro, o Axis Bank, enquanto os três maiores bancos do país seguram o apoio por causa das taxas cobradas pela Apple.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O Apple Pay estreia hoje na Índia com exatamente um parceiro bancário: o Axis Bank, um dos maiores bancos privados do país e o quarto maior emissor de cartões de crédito local, com 16,26 milhões de cartões ativos em julho. É um lançamento tímido para o mercado mais populoso do planeta — e o motivo está em uma única fatia de 20 pontos-base.

A conta que trava a expansão

Segundo apuração da Reuters, a Apple cobra cerca de 20 pontos-base por transação processada via Apple Pay. O problema é que a margem de lucro na camada de pagamentos indiana costuma girar entre 40 e 50 pontos-base. Na prática, a Apple pede quase a metade do que resta de rentabilidade para os bancos — e é isso que trava a mesa de negociação com HDFC Bank, ICICI Bank e SBI Card, três dos maiores emissores do país, que não vão apoiar o serviço no lançamento. As conversas continuam, mas sem termos comerciais fechados.

No início, o Apple Pay também vai funcionar só com bandeiras Visa e Mastercard de cartões do Axis Bank, deixando de fora a rede RuPay, criada pelo governo indiano e amplamente usada localmente. A aceitação também estará restrita a comerciantes e maquininhas já habilitadas para o serviço.

Por que a Índia importa tanto

A Índia não é um mercado qualquer para a Apple: o país já responde por cerca de um quarto de toda a produção global de iPhones, e a marca chegou a 28% de participação no mercado de smartphones indiano por valor em 2025, contra 23% um ano antes — uma trajetória que analistas projetam podendo alcançar 30% a 35% nos próximos cinco anos.

Mas o terreno em pagamentos é hostil. O UPI (Unified Payments Interface), sistema de transferência instantânea entre contas bancárias via QR code, domina o dia a dia dos indianos e tornou o cartão quase dispensável nas compras do cotidiano. Dentro do próprio ecossistema de carteiras UPI, PhonePe e Google Pay concentram juntos mais de 85% das transações — PhonePe com 46,26% e Google Pay com 32,75% em maio, segundo dados da NPCI, a câmara que administra o sistema. O regulador chegou a propor um teto de 30% de participação por aplicativo, mas a exigência foi novamente adiada, agora para dezembro de 2026.

Quem ganha e quem perde

O lançamento só foi possível depois que o Banco Central da Índia (RBI) mudou as regras para permitir autenticação biométrica em pagamentos por cartão, removendo um obstáculo regulatório de anos. Ainda assim, o Apple Pay entra pela porta dos fundos: sem RuPay, sem os três maiores bancos e disputando espaço com um sistema gratuito e onipresente como o UPI.

O Axis Bank sai na frente como parceiro exclusivo, ganhando visibilidade e um argumento de venda para cartões premium. Já HDFC, ICICI e SBI Card jogam para depois, apostando que podem negociar termos melhores mais tarde — ou que o serviço simplesmente não vai decolar o suficiente para justificar abrir mão de margem agora.

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