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Segurança20 de out. de 2026, 19:18

Apple proíbe apps 'nudify' disfarçados que criam nudez falsa sem consentimento

A Apple atualizou as diretrizes da App Store para banir aplicativos de IA que escondem funções de 'nudificação' durante a revisão e só as ativam depois de aprovados. A mudança chega em meio a pressão legal e social contra deepfakes de nudez não consensual.

Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança

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O que aconteceu

A Apple atualizou as diretrizes da App Store para proibir de forma explícita os chamados apps "nudify": aplicativos de inteligência artificial que geram imagens de nudez falsas e não consensuais a partir de fotos reais de pessoas.

O ponto central da mudança é o combate a uma tática conhecida como bait-and-switch. Segundo a nova regra, apps que hospedam conteúdo gerado por usuários precisam filtrar material ofensivo, permitir denúncias e bloquear contas abusivas. Também ficam proibidos apps com "recursos ocultos" — aplicativos que escondem sua real função durante a revisão da Apple e só liberam, depois de aprovados e publicados, capacidades prejudiciais como a geração de nudez falsa. A Apple afirma que vai remover apps que adicionarem recursos não presentes na versão originalmente submetida para análise.

O endurecimento não veio isolado. Em abril, o Tech Transparency Project, organização americana que investiga o impacto de big techs na sociedade, já apontara que App Store e Google Play hospedavam apps de nudificação, alguns classificados como apropriados para menores. Em julho, São Francisco determinou que Apple e Google removessem esses apps, sob risco de penalidades civis. A Google já proíbe formalmente apps que prometem "despir" pessoas ou gerar deepfakes sexuais não consensuais.

Quem é afetado

Os principais afetados são potenciais vítimas de deepfakes: qualquer pessoa cuja foto pública (de redes sociais, por exemplo) possa ser usada para gerar imagens de nudez falsas sem autorização. Mulheres costumam ser o alvo mais comum desse tipo de abuso.

A regra também atinge desenvolvedores de apps legítimos de edição de fotos e de IA generativa, que agora precisam comprovar maior rigor na moderação de conteúdo e evitar qualquer ambiguidade sobre o que seus apps realmente fazem — sob risco de remoção caso adicionem funções não declaradas na revisão.

O que fazer agora

  • Se você suspeita ter sido vítima de um app de nudificação, denuncie o aplicativo diretamente na página dele na App Store, usando a opção de reportar conteúdo ofensivo;
  • Reporte também à Apple pelo canal de suporte, descrevendo a função oculta de geração de nudez falsa;
  • Caso a imagem já tenha circulado, guarde provas (capturas de tela, links, nome do app) antes que o conteúdo seja removido;
  • Avalie orientação jurídica: no Brasil, montar imagem simulando nudez sem consentimento já é crime; a divulgação ainda tem lacunas legais para vítimas adultas, o que reforça registrar boletim de ocorrência;
  • Em caso de menores de idade, a legislação do ECA Digital (Lei 15.211/2025) obriga plataformas a remover o conteúdo imediatamente após notificação da vítima ou de seu representante, sem necessidade de ordem judicial;
  • Desconfie de apps de edição de fotos com permissões excessivas ou descrições vagas sobre "efeitos especiais" em imagens de pessoas.
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