
Apple promete até 5h mais de bateria no Mac para quem trocar Chrome por Safari
Nova campanha da Apple afirma que o Safari é até 35% mais rápido que o Chrome no carregamento de sites e rende até cinco horas extras de bateria em vídeo. Os números vêm de testes da própria empresa, feitos em condições controladas.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
A Apple decidiu ir à guerra contra o navegador mais usado do planeta. Uma nova campanha batizada de "Stay on Safari" tenta convencer usuários de Mac a abandonar o Chrome, prometendo até 35% mais velocidade no carregamento de páginas e até cinco horas extras de bateria na reprodução de vídeos. O recado é direto: o navegador nativo do macOS entregaria mais autonomia e mais fluidez do que o rival do Google, hoje líder isolado de mercado segundo dados da Statista.
Os números por trás do anúncio
Segundo a Apple, o teste comparou um MacBook Air com chip M5 e 16 GB de memória unificada rodando Safari 27.0 contra o mesmo hardware com Chrome 151. O ganho de velocidade de 35% se refere especificamente ao carregamento de páginas já visitadas com frequência, não à navegação em geral — uma ressalva que a própria empresa inclui na letra fina da divulgação. Já a economia de bateria de até cinco horas é atribuída à reprodução de vídeo, cenário em que o consumo de energia tende a ser mais previsível e, por isso, mais fácil de otimizar.
A metodologia revelada por veículos internacionais mostra que o teste de velocidade usou cópias estáticas (snapshots) de 12 sites populares, carregadas sob condições de rede simuladas — não o tráfego real da internet, com anúncios, scripts de terceiros e variações de conexão. É um ambiente controlado, favorável a quem desenha o teste.
Vale a troca na prática?
A vantagem técnica da Apple não é fictícia: o Safari usa o motor WebKit, otimizado nativamente para os chips da própria empresa, enquanto o Chrome depende do Blink e de camadas de compatibilidade que consomem mais processamento e energia em qualquer plataforma. Esse é um ganho real de eficiência, não apenas marketing.
Ainda assim, os números divulgados são os melhores cenários possíveis, medidos pela própria interessada, sem a contraparte de um laboratório independente publicando os mesmos testes até agora. Na prática, o usuário que depende de extensões específicas do Chrome, sincronização entre Windows e Mac ou ferramentas de desenvolvimento web dificilmente vai sentir cinco horas extras de bateria — esse número tende a aparecer só em uso intenso de vídeo, isolado de outras tarefas.
A pergunta que fica não é se o Safari é mais eficiente — provavelmente é — mas se esse ganho se sustenta fora do laboratório, com dezenas de abas abertas, extensões ativas e sites pesados em JavaScript. Para quem já vive no ecossistema Apple e não depende de recursos exclusivos do Chrome, a troca tende a compensar. Para o resto, a decisão provavelmente continua sendo sobre conveniência, não sobre as cinco horas prometidas no anúncio.