
Apple quebra tabu e lança primeiro MacBook Pro com tela touchscreen
No evento "Pro and Tell", a Apple revirou 16 anos de discurso contrário ao toque em laptops e trouxe telas PROLED XDR touchscreen para o MacBook Pro com chips M5 Pro e M5 Max.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
O fim de uma resistência de quase duas décadas
Tem frase que volta pra te morder. Em 2012, Tim Cook disse que juntar touchscreen e laptop seria tão bom quanto combinar uma torradeira com uma geladeira. Steve Jobs já tinha batido na mesma tecla em 2010, chamando telas sensíveis ao toque em notebooks de "ergonomicamente terríveis". Pois bem: no evento "Pro and Tell", realizado nesta quarta-feira (28/10), a Apple lançou oficialmente o primeiro MacBook Pro com tela touchscreen da história, e quem assinou a virada foi o próprio Cook, hoje presidente do conselho, ao lado do vice-presidente de engenharia de hardware John Ternus.
Na prática, o que muda é menos sobre "tocar na tela" e mais sobre o pacote todo. O novo MacBook Pro vem em duas versões: 14 polegadas, a partir de US$ 2.899, e 16 polegadas, a partir de US$ 3.399 — preços de entrada nos EUA, sem imposto. Por dentro, chips M5 Pro ou M5 Max, com até 128GB de memória unificada e 16TB de armazenamento, números que colocam a máquina numa categoria de workstation portátil, não de notebook comum.
A tela é onde a engenharia mais chama atenção: painel PROLED XDR com 2.000 nits de brilho (tanto em HDR quanto em SDR) e contraste de 10.000.000:1. Se o touchscreen realmente justifica o investimento depende do uso: para quem edita vídeo ou faz design e já tocava em telas de iPad o dia inteiro, a adaptação deve ser rápida. Pra quem só digita e navega, é difícil ver a diferença prática no primeiro mês de uso.
O resto da especificação segue a receita Apple de sempre: três portas Thunderbolt 5, HDMI, leitor de cartão SDXC, MagSafe e entrada de fone de ouvido — ou seja, nada de abrir mão dos conectores físicos que a concorrência vem cortando. Peso de 1,38kg no modelo de 14 polegadas e 1,82kg no de 16, números de queda se comparados à geração anterior sem tela de toque.
As pré-vendas começam em 30 de outubro, com disponibilidade a partir de 6 de novembro. Vale o preço no Brasil? Com histórico de deságio da Apple em conversão de dólar para real mais impostos de importação, é bem provável que o modelo de 14 polegadas chegue batendo nos R$ 20 mil — e isso antes de qualquer configuração de memória ou armazenamento acima do básico. Pra quem já tinha um MacBook Pro M4 rodando bem, a pressa não parece justificada; pra quem está decidindo entre Mac e um notebook Windows com tela de toque, a Apple finalmente entrou nesse jogo.
Atualização (28/10, 21:50): ATUALIZAÇÃO (29/10): Depois do anúncio, a Apple confirmou os preços do novo MacBook Pro com tela touchscreen: a partir de US$ 2.899 no modelo de 14 polegadas e US$ 3.399 no de 16 polegadas. Quem quiser a configuração totalmente especificada — chip M5 Max, armazenamento e memória máximos — vai pagar US$ 14.549, o preço mais alto já cobrado pela Apple por um MacBook Pro.
A tela ProLED XDR, com painel Tandem OLED de dupla camada emissora de luz, brilho de pico de até 2.000 nits e taxa de atualização variável de 10Hz a 120Hz, também ganhou as primeiras impressões de uso: no hands-on da Ars Technica, o jornalista descreveu o aparelho como "não tão radical quanto o esperado em termos de mudança de design, mas a tela OLED excepcional rouba a cena de qualquer forma" — ou seja, o touchscreen em si impressiona mais do que qualquer redesenho físico do notebook.
Atualização (29/10, 00:48): Atualização (29/10/2026): A Apple já abriu as pré-encomendas do novo MacBook Pro com tela touchscreen ProLED XDR. Os pedidos começaram em 28 de outubro de 2026, diretamente no site da Apple e em revendedores autorizados, com chegada das primeiras unidades prevista para 6 de novembro.
O modelo com a nova tela Tandem OLED touch, disponível nas versões de 14 e 16 polegadas, parte de US$ 2.899 nos Estados Unidos. Em paralelo, a Apple também renovou a linha tradicional de MacBook Pro com chip M6, que passa a ser vendida a partir de US$ 1.999, mantendo a tela Liquid Retina XDR sem touchscreen para quem optar pela configuração mais barata.
Atualização (29/10, 12:45): Depois de mais de 15 anos negando a ideia de um MacBook com tela sensível ao toque, a Apple anunciou nesta semana o primeiro MacBook Pro touchscreen de sua história, encerrando uma resistência que remonta a declarações de Steve Jobs, em 2010, de que telas de toque em notebooks eram "ergonomicamente terríveis", e de Tim Cook, em 2012, que comparou a ideia a juntar uma torradeira com uma geladeira. Em vídeo publicado antes do evento "Pro and Tell", em Los Angeles, John Ternus, executivo responsável pela linha de produtos da Apple, resumiu a virada de chave: "Estamos radiantes de entusiasmo com o novo MacBook Pro. Você precisa tocar para acreditar." Ele também explicou a lógica por trás da mudança: o Mac continua sendo "antes de tudo um dispositivo de entrada indireta", construído em torno do trackpad e do teclado, mas "há momentos em que é confortável e prático ter o toque".
Nas primeiras impressões de uso, o toque na tela é tratado como recurso opcional, e não como a forma principal de operar o notebook: é possível navegar entre apps, fazer pinch-to-zoom e arrastar clipes de vídeo em linhas do tempo de edição com fluidez, segundo relatos de hands-on. A Apple também aplicou um revestimento oleofóbico na tela para resistir a marcas de dedo. As reações, porém, não foram unânimes: o youtuber Marques Brownlee (MKBHD) descreveu a experiência de toque como "sloppy and messy" (desleixada e confusa) após testar o aparelho.