
Apple vai suavizar telas de rastreamento na Europa após pressão antitruste
Depois de investigação do órgão antitruste alemão, a Apple vai permitir que apps usem uma versão mais neutra da tela de consentimento de rastreamento (ATT) em cinco países da UE, trocando símbolos de alerta e termos como tracking por linguagem mais neutra.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
A Apple vai oferecer uma versão alternativa da tela de consentimento de rastreamento (App Tracking Transparency, ou ATT) para aplicativos distribuídos na União Europeia. A mudança é resultado de uma decisão do Bundeskartellamt, o órgão antitruste alemão, que concluiu uma investigação de anos apontando que o sistema ATT tratava apps de terceiros com um padrão mais rígido do que os próprios apps da Apple — que podem usar dados dos usuários dentro do próprio ecossistema sem passar pela mesma tela de aviso.
Segundo o acordo, a nova versão da tela precisa ser "visual e linguisticamente neutra". Entre as mudanças confirmadas estão a remoção do símbolo de mão de alerta, a retirada da palavra "tracking" (rastreamento) do texto, e a substituição dos botões "Allow" e "Ask App Not to Track" por apenas "Allow" e "Reject". Desenvolvedores também poderão incluir até 4.000 caracteres explicando por que pedem a permissão, com um link para "informações adicionais", além de combinar o pedido do ATT com o de consentimento do GDPR em um único pop-up, seguindo três formatos pré-definidos pela Apple.
A Apple afirma que, por exigência legal, essa versão alternativa da tela só estará disponível para apps distribuídos na Alemanha, França, Itália, Polônia e Romênia — os cinco países cobertos pelo acordo. A empresa tem quatro meses a partir da notificação da decisão para implementar as mudanças, e o cumprimento será fiscalizado por um monitor independente durante sete anos.
Quem é afetado
Na prática, quem desenvolve apps para iOS distribuídos nesses cinco países ganha uma tela de consentimento menos hostil para pedir permissão de rastrear o usuário entre apps e sites — algo que empresas como a Meta reclamam há anos, alegando que o modelo antigo empurrava o usuário para negar o rastreamento com mais facilidade do que aceitá-lo. Já quem usa iPhone nesses países vai ver, a partir da atualização, uma tela com visual e texto diferentes do restante do mundo, mas a decisão final de permitir ou não o rastreamento continua sendo do usuário.
Isso pode chegar ao Brasil?
Ainda não há decisão nesse sentido por aqui, mas o tema já está na mesa: o Cade abriu investigação sobre a Apple depois de queixa da Meta com argumento parecido ao usado pelos reguladores europeus — de que o ATT favoreceria a própria Apple em detrimento de apps concorrentes. Não há prazo ou desfecho definido para o caso brasileiro. Por ora, a tela de consentimento nos moldes atuais, com o aviso mais direto sobre rastreamento, continua valendo para usuários de iPhone no Brasil.