
Apps criativos mostram o que o iPhone Duo dobrável pode fazer de verdade
De um Walkman virtual a uma torradeira digital, desenvolvedores estão explorando as duas telas do iPhone Duo para criar experiências que um iPhone comum nunca ofereceria.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
Quando o hardware abre espaço para ideias novas
Lançado oficialmente em 23 de outubro, o iPhone Duo chegou como o primeiro dobrável da Apple, com tela interna de 7,6 polegadas, tela externa de 5,4 polegadas e preço a partir de US$ 1.999 (no Brasil, de R$ 21.999 a R$ 30.999, dependendo do armazenamento). Mas, segundo um levantamento da TechCrunch, a verdadeira novidade não está nas especificações — está no que os desenvolvedores estão fazendo com elas.
Em vez de simplesmente esticar um app de iPhone comum para caber na tela maior, uma nova geração de aplicativos trata as duas telas e o formato de livro como parte do design. É a diferença entre adaptar uma especificação e criar uma experiência.
Foto: reprodução/techcrunch.com
Do Walkman virtual à torradeira
O exemplo mais comentado é o Deck-Man, criado pelo desenvolvedor independente Vidit Bhargava. O app simula um toca-fitas retrô completo, com cassetes virtuais, cliques autênticos gravados de um walkman real e uma interface que, com o aparelho fechado, parece a frente de um player físico.
Outros apps exploram o formato de forma igualmente lúdica. O TypeDraw, do desenvolvedor Phil Traut, transforma o Duo em um caderno estilo Moleskine, com páginas que viram como num diário real. O Flighty, app de rastreamento de voos premiado pela Apple, ganhou um mapa com globo interativo quando o aparelho está aberto e um novo "En Route Mode" pensado para o modo tenda nas bandejas de avião. Já o app Tiny Computers, da Fountain Interactive, recria computadores retrô como o Macintosh e o Commodore 64 em modo laptop, com teclado funcional.
Foto: reprodução/macrumors.com
A menção mais curiosa é o Toastie: um jogo que transforma o Duo numa torradeira digital — o usuário monta um sanduíche de queijo e fecha o telefone para "assá-lo", mirando o ponto perfeito de torra.
Vale a pena o dobrável só pelos apps?
Comparado à linha tradicional de iPhone, o Duo ainda é caro e nicho — e a própria tech & talk já noticiou que as primeiras unidades chegaram com problemas na dobradiça. Mas o que esse ecossistema de apps mostra é que a Apple abriu uma categoria de uso que simplesmente não existe no iPhone normal nem, até agora, de forma tão polida nos dobráveis Android.
A pergunta que fica para o consumidor brasileiro, diante do preço de R$ 21.999, é se vale pagar esse prêmio por um catálogo de apps ainda pequeno, mesmo que criativo, ou se é mais sensato esperar a segunda geração — quando a dobradiça, e o preço, tendem a amadurecer junto com o software.