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Mercado22 de set. de 2026, 09:54

Arábia Saudita lança montadora Ceer com dois elétricos e mira US$ 8 bi

Joint venture entre o fundo soberano PIF e a taiwanesa Foxconn estreia com o sedã e o SUV da linha Exobot, dentro de um plano que prevê complexo industrial de US$ 5 bilhões e sete novos modelos até 2030.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Dois carros, US$ 5 bilhões de fábrica

A Arábia Saudita apresentou a Ceer, sua primeira montadora nacional, com dois modelos elétricos da linha Exobot — um sedã e um SUV — de design futurista, com teto de vidro descrito como o maior já usado num carro de produção e portas que abrem para cima, em estilo "gullwing". A empresa é uma joint venture entre o PIF, fundo soberano saudita, e a Foxconn, a fabricante taiwanesa mais conhecida por montar iPhones da Apple e que nos últimos anos expandiu para veículos elétricos. A Ceer foi fundada em 2022 e tem à frente Jim DeLuca, ex-CEO da fabricante vietnamita VinFast.

A engenharia é emprestada

Os carros da Ceer rodam sobre plataforma e arquitetura elétrica desenvolvida com a Foxconn, mas a lista de parceiros vai além: a companhia tem acordo de tecnologia com a BMW, e fornecedores como Dürr, Schuler, Siemens e ABB participam da montagem industrial. A produção sai de um complexo de US$ 5 bilhões erguido na King Abdullah Economic City, com obras iniciadas em 2024 — e a promessa de gerar US$ 8 bilhões em contribuição ao PIB saudita até 2034.

Diversificar para além do petróleo

O projeto está encaixado no Vision 2030, o plano saudita para reduzir a dependência de receita do petróleo criando indústrias novas dentro do país. Depois da estreia dos dois Exobot, a Ceer promete mais sete veículos nos próximos cinco anos — uma aposta que soma esforço a outras iniciativas industriais do PIF, fundo que já colocou dinheiro em tecnologia, entretenimento e esportes como parte da mesma estratégia de diversificação.

Quem ganha e quem perde

A Foxconn sai fortalecida como fornecedora de plataforma para montadoras emergentes, replicando no setor automotivo o papel de fabricante terceirizada que já exerce na eletrônica — um caminho que vinha testando com outros parceiros e agora ganha um cliente com bolso soberano ilimitado. Para o PIF, o cálculo é político tanto quanto financeiro: criar uma cadeia automotiva do zero custa caro e leva anos para provar retorno, e a Ceer ainda precisa disputar espaço num mercado saudita hoje dominado por marcas importadas antes que a meta de US$ 8 bilhões em PIB saia do papel.

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