
Arc morre em 22 de dezembro e o Zen Browser herda os refugiados
O Browser Company confirmou o fim do Arc para 22 de dezembro, menos de um ano após a compra de US$ 610 milhões pela Atlassian. Quem sai ganhando é o Zen Browser, um fork gratuito do Firefox que virou o destino natural de quem não quer um navegador construído em torno de IA.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
A conta que fecha para a Atlassian, não para o usuário do Arc
US$ 610 milhões foi o valor pago pela Atlassian — gigante australiana de software corporativo dona do Jira e do Trello — para comprar a The Browser Company em setembro de 2025. Treze meses depois, a aposta mostrou para onde vai o dinheiro: o Arc, navegador que virou cult por reinventar abas e espaços de trabalho, para de funcionar em 22 de dezembro. O cadastro de novos usuários já foi encerrado. Sobra o Dia, sucessor com IA embutida que promete deixar o usuário "conversar" com várias abas ao mesmo tempo.
A lógica de M&A aqui é direta: a Atlassian comprou talento e tecnologia de navegador para empacotar em um produto voltado a times corporativos na era da inteligência artificial — não para manter viva uma base de fãs que não monetiza do jeito que a empresa quer. O problema é que o Dia, segundo reportagens recentes, ainda não replica funções que fizeram o Arc ser amado, como Spaces, Boosts e Easels.
Quem herda a base órfã
É nesse vácuo que o Zen Browser aparece como o grande vencedor silencioso da história. Trata-se de um navegador open source construído sobre o motor do Firefox, gratuito (sustentado por doações), disponível para macOS, Windows e Linux, que replica o que havia de mais querido no Arc: espaços de trabalho (workspaces), modo compacto, visualização rápida de página e divisão de tela lado a lado, tudo organizado em uma barra lateral.
O apelo do Zen não é inteligência artificial — é o oposto. Enquanto a indústria de navegadores corre para empacotar assistentes de IA (o próprio Dia, o Comet da Perplexity, o Copilot Mode do Edge), o Zen aposta em personalização e em uma experiência silenciosa, sem IA empurrada goela abaixo. Essa diferenciação explica por que surgiram ferramentas feitas pela comunidade, como a extensão browser2zen, que migram em menos de um minuto workspaces, abas fixadas, favoritos e histórico direto do Arc.
Quem perde
Quem perde é a própria Atlassian, que compra briga para convencer uma base fiel e vocal de que vale trocar um produto querido por outro orientado a produtividade corporativa com IA. Perde também o Dia, que precisa reconstruir do zero uma reputação que o Arc levou anos para construir. Já o Zen, sem fins lucrativos claros e dependente de doações, ganha usuários — mas ainda não tem modelo de negócio testado para sustentar esse crescimento no longo prazo.