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MercadoSmart Cities13 de ago. de 2026, 16:54

Archer compra Wisk Aero da Boeing e vira dona da ex-rival

Em negócio pago em ações, a Boeing ficará com 19,75% da Archer Aviation ao ceder as subsidiárias Wisk Aero, Insitu e SkyGrid — encerrando um capítulo que começou com processo judicial entre as duas empresas em 2021.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa: até US$ 255 milhões e quase 20% da Archer

A Boeing vai transferir para a Archer Aviation três subsidiárias — Wisk Aero, Insitu e SkyGrid — em uma operação estruturada em ações, não em dinheiro. Pelos termos do acordo, a Boeing recebe ações Classe A da Archer e passa a deter uma fatia de 19,75% da companhia, além de garantir opções para investir até US$ 55 milhões na próxima rodada de captação da Archer (com prazo até 31 de março de 2027) e warrants para comprar até US$ 200 milhões adicionais em ações no futuro. O fechamento é esperado para o fim de 2026, sujeito a aprovações antitruste.

De rival processada a ativo estratégico

A história entre as duas empresas não é trivial: em 2021, a Wisk Aero processou a própria Archer por suposto roubo de segredos comerciais e violação de patentes ligados à tecnologia de eVTOL (aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical). O litígio só foi resolvido em agosto de 2023, quando Archer, Wisk e Boeing fecharam acordo por valor não divulgado e passaram a colaborar. Agora, a ex-rival vira ativo dentro de casa.

Além da Wisk — cuja tecnologia autônoma de voo é o principal prêmio do negócio —, a Archer também absorve a Insitu, fabricante de drones que fatura mais de US$ 200 milhões por ano em 35 países e já construiu mais de 4.000 unidades, e a SkyGrid, empresa de software de gerenciamento de tráfego aéreo.

Quem ganha e quem perde

Para a Archer, o CEO Adam Goldstein resumiu o racional: a aquisição deve "mudar significativamente o perfil da Archer e seu caminho para receita relevante", segundo ele, deixando de ser "apenas uma empresa de táxi aéreo". Na prática, a empresa passa a ter um braço de defesa lucrativo — via Insitu — somado à tecnologia autônoma da Wisk, que deve acelerar os programas Halo (eVTOL comercial e de defesa) e Thunder (drone de ataque autônomo).

Já a Boeing segue a estratégia de concentrar esforços em seu negócio comercial, de defesa e serviços globais — movimento que também levou a fabricante a vender sua unidade de software de aviação para a Thoma Bravo por US$ 10,55 bilhões em 2025. Brian Yutko, vice-presidente de desenvolvimento de produto da Boeing, chamou o acordo de "ganha-ganha", que permite à Wisk, SkyGrid e Insitu "acelerarem" fora do guarda-chuva da fabricante. A Boeing sai com menos ativos de eVTOL sob gestão direta, mas com participação relevante no futuro da Archer caso o mercado de mobilidade aérea urbana decole.

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