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Ciência16 de out. de 2026, 10:18

As explosões cósmicas mais poderosas do universo podem ser um engano

Dois estudos publicados na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society sugerem que estrelas estranhas da Via Láctea, antes vistas como prova de hipernovas, podem ter se formado por supernovas comuns e fusões de estrelas de nêutrons.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Imagine uma explosão tão violenta que faria uma supernova comum parecer um fogo de artifício de festa de aniversário. É isso que a ciência chama de hipernova: um colapso estelar hipotético, muitas vezes ligado a buracos negros, com energia liberada muito além do que uma supernova típica produz. Pesquisadores sempre usaram a composição química de certas estrelas estranhas, encontradas na Via Láctea e em uma galáxia-satélite vizinha, como evidência de que esses eventos extremos realmente aconteceram. Agora, dois estudos recentes colocam essa evidência em xeque.

O que é confirmado

Os trabalhos, conduzidos por pesquisadores do Mullard Space Science Laboratory, um laboratório de ciência espacial do University College London (UCL), no Reino Unido, e divulgados em 5 de outubro de 2026, foram publicados na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, periódico científico britânico de astronomia. É fato confirmado que a equipe analisou quatro estrelas com composição química pouco comum — rica em elementos pesados que antes eram associados exclusivamente a hipernovas. Também é confirmado que, em supernovas comuns, a matéria não se espalha de forma uniforme: oxigênio pode ser ejetado predominantemente em uma direção, enquanto o enxofre segue outra. Isso significa que novas estrelas podem se formar a partir de pedaços irregulares de uma supernova, e não de uma mistura homogênea de elementos — um mecanismo que, até então, não era levado em conta.

O que é hipótese

A parte ainda em debate é a interpretação dos dados à luz desse novo mecanismo. Com o modelo revisado, os pesquisadores concluem que três das quatro estrelas estudadas provavelmente vieram de supernovas comuns, e não de hipernovas. Um quinto objeto, uma estrela gigante vermelha encontrada no halo da Via Láctea com concentração anormalmente alta de elementos pesados, teria se originado não de uma hipernova isolada, mas da combinação entre uma fusão de estrelas de nêutrons e uma supernova convencional — possivelmente ocorrida dentro de uma galáxia-satélite de baixo teor metálico que depois foi incorporada à Via Láctea.

O estudo não fecha a porta, mas afrouxa a fechadura

Isso não significa que hipernovas sejam impossíveis — apenas que a principal evidência observacional usada para sustentá-las ficou mais fraca. Com um modelo alternativo que explica a mesma composição química sem precisar recorrer ao evento mais extremo, os astrônomos agora têm motivo para revisar casos antigos e buscar sinais mais diretos antes de declarar uma hipernova confirmada.

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