tech & talk
Smart Cities15 de out. de 2026, 10:09

As maiores mudanças do órgão de habitação dos EUA em 2026

Sob o secretário Scott Turner, o Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano (HUD) dos Estados Unidos cortou verba, mudou a prioridade de combate a moradores de rua e enfrentou uma sequência de bloqueios judiciais em 2026. Veja o que já mudou — e quem está questionando na Justiça.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

Compartilhar

Quando um órgão federal decide mudar a lógica de décadas de política habitacional, é a cidade que sente o impacto primeiro — no abrigo que fecha, na verba que não chega, na fila que aumenta. Nos Estados Unidos, o Department of Housing and Urban Development (HUD, o órgão federal equivalente a um ministério das cidades e da habitação) vive em 2026 justamente esse tipo de virada, sob o comando do secretário Scott Turner.

A mudança de filosofia no combate à situação de rua

O HUD está se afastando da abordagem conhecida como "housing-first" — que prioriza oferecer moradia primeiro, sem pré-condições — para priorizar o que chama de "iniciativas de tratamento": habitação transitória, qualificação profissional e tratamento para dependência química. Os novos critérios de financiamento para uma linha de 4 bilhões de dólares em programas de combate à situação de rua, porém, já foram bloqueados na Justiça. É o tipo de disputa que qualquer gestor público conhece bem: mudar a regra do jogo no meio do campeonato gera judicialização, e foi exatamente o que aconteceu.

Foto: reprodução/smartcitiesdive.com

Quanto foi cortado — e de onde

O orçamento discricionário do HUD teve corte de 13%. Na lista de programas na mira está a extinção do Community Development Block Grant, linha de 3,3 bilhões de dólares historicamente usada por prefeituras americanas para projetos locais de infraestrutura e desenvolvimento comunitário, e também do HOME Investment Partnerships, de 1,3 bilhão de dólares, destinado à construção de moradia popular. Houve ainda corte relevante de pessoal em relação ao ano anterior — ou seja, menos verba e menos gente para fiscalizar o que resta dela.

Regras que mudaram por decreto, não por votação

Duas mudanças regulatórias chamam atenção de quem acompanha moradia popular: o HUD revogou exigências de eficiência energética baseadas no código internacional de conservação de energia de 2021, e propôs uma regra para impedir que famílias com situação migratória mista acessem moradia financiada com dinheiro federal — ainda em tramitação. Já as novas restrições ao Fair Housing Incentives Program, programa de incentivo à habitação justa, foram bloqueadas pela Justiça em julho.

Quem está de olho nisso tudo

A lista de fiscalização é longa: bloqueios judiciais contra as mudanças no financiamento a moradores de rua (agosto), contra as restrições ao programa de habitação justa (julho) e investigação sobre um programa de aquisição de imóveis no estado de Washington. Em junho, o HUD também suspendeu recursos para a autoridade de serviços a moradores de rua de Los Angeles. É um volume de litígio que mostra uma coisa simples: toda mudança de regra em política habitacional tem alguém do outro lado perguntando se é legal — e, no fim, quem banca a conta é sempre a cidade e o morador que depende do serviço.

política habitacionalmoradores de ruaorçamento públicohudestados unidos
Compartilhar