
Às vésperas das eleições, Meta terceiriza combate às fake news; entenda os riscos
A Meta começou a testar as Notas da Comunidade, modelo colaborativo de checagem de fatos, em 16 países da América Latina, substituindo gradualmente checadores profissionais pouco antes das eleições de 2026.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
A Meta, dona de Facebook, Instagram e Threads, começou a testar em 16 países da América Latina as chamadas Notas da Comunidade, modelo de moderação colaborativa inspirado no que já existe no X (antigo Twitter), no qual usuários cadastrados como colaboradores adicionam contexto a publicações potencialmente enganosas. O sistema substitui gradualmente a checagem feita por agências profissionais de fact-checking, prática adotada pela empresa desde 2016. Uma nota só é publicada quando há consenso entre colaboradores com visões políticas diferentes, o que, segundo a Meta, evita que o recurso seja dominado por maiorias simples.
A mudança ocorre pouco antes das eleições de 2026 em vários países da região. O Brasil, que tem eleições presidenciais marcadas para outubro, não está na primeira leva de testes — restrita, por ora, a países de língua espanhola —, mas a Meta já sinalizou intenção de expandir o modelo globalmente após avaliar os resultados.
Foto: reprodução/cartacapital.com.br
Nos Estados Unidos, onde o programa foi lançado em 2025 em substituição total à checagem profissional, a empresa registra 1,4 milhão de colaboradores cadastrados e mais de 50 mil notas publicadas até o momento.
Quem é afetado
Usuários de Facebook, Instagram e Threads na América Latina, e potencialmente no Brasil caso o modelo seja expandido antes ou durante o período eleitoral de outubro. O próprio Comitê de Supervisão da Meta, órgão independente que revisa decisões de moderação da empresa, alertou em março que o sistema é vulnerável a manipulação por redes coordenadas e pode favorecer grupos políticos, étnicos ou linguísticos específicos, além de deixar conteúdo falso circulando por mais tempo até que haja consenso — ou nunca ser corrigido, caso o consenso não seja atingido.
O que fazer agora
- Desconfie de publicações eleitorais sem fonte clara, mesmo que não tenham nenhuma nota de contexto anexada — a ausência de nota não significa que o conteúdo foi verificado.
- Consulte agências de checagem independentes antes de compartilhar conteúdo político duvidoso.
- Fique atento a anúncios da Meta sobre expansão das Notas da Comunidade ao Brasil nas próximas semanas, já que o calendário eleitoral de outubro está próximo.
- Denuncie diretamente na plataforma conteúdos que pareçam desinformação eleitoral, mesmo sabendo que a triagem agora depende mais de colaboradores voluntários do que de checadores profissionais.