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IA06 de out. de 2026, 21:31

Assessoria da OpenAI tenta encurtar pergunta sobre suicídio a Altman

Em entrevista à revista Vanity Fair, publicitária da OpenAI pediu para 'seguir adiante' quando o tema era o suicídio de uma jovem que usava o ChatGPT como apoio emocional. Altman respondeu mesmo assim.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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Em bom português: o que houve

Durante uma entrevista à Vanity Fair, revista americana conhecida por perfis e conversas longas com figuras de peso, o editor Mark Guiducci perguntou ao CEO da OpenAI, Sam Altman, sobre o caso de Sophie Rottenberg — jovem de 29 anos que morreu por suicídio em fevereiro de 2025 depois de usar uma versão personalizada do ChatGPT como espécie de apoio emocional. A mãe de Sophie, a jornalista Laura Reiley, tornou o caso público e processa a OpenAI.

A interrupção

No meio da pergunta, uma publicitária da OpenAI presente na sala avisou Guiducci que o tempo estava acabando e sugeriu "seguir adiante" para outro assunto. Altman, porém, disse que podia se atrasar no compromisso seguinte e optou por responder. Chamou o tema de "uma das perguntas mais difíceis" que empresas de IA enfrentam hoje, reconhecendo que a OpenAI tenta identificar sinais de risco em conversas, mas que "ninguém tem certeza de qual é a abordagem correta".

Os dois lados da história

Para a OpenAI, episódios assim justificam investimento em detecção de crises e direcionamento a linhas de ajuda — a empresa diz ter reforçado esses mecanismos nos últimos meses. Para críticos, a cena mostra o oposto: uma empresa mais preocupada em controlar a narrativa da imprensa do que em assumir responsabilidade pelos efeitos de um produto usado por centenas de milhões de pessoas como confidente emocional. A OpenAI já enfrenta mais de uma ação judicial nos EUA ligando o ChatGPT a casos de automutilação e suicídio entre usuários jovens.

O que ainda não sabemos

A OpenAI não detalhou publicamente quantos casos de risco à vida seus sistemas de moderação identificam por mês, nem como mede se as mudanças recentes de fato reduzem esse tipo de desfecho. Também não respondeu se vai revisar o protocolo de assessoria de imprensa que tentou encurtar a pergunta durante a entrevista.

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