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Mercado27 de ago. de 2026, 19:21

Assinaturas já custam mais de R$ 100 por mês para a maioria dos brasileiros

Levantamento da Vindi com a Opinion Box mostra que 46% dos brasileiros pagam entre R$ 101 e R$ 500 por mês em assinaturas, com streaming de vídeo presente em 79% das carteiras digitais. Nuvem, comida e inteligência artificial puxam o crescimento do setor.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa

Quase metade dos brasileiros — 46% — já gasta entre R$ 101 e R$ 500 por mês só para manter suas assinaturas ativas, segundo o Relatório Assinaturas 2026, produzido pela Vindi em parceria com a Opinion Box. O recorte é resultado da soma de duas faixas: 29% dos entrevistados pagam entre R$ 101 e R$ 200 mensais, enquanto outros 17% desembolsam de R$ 201 a R$ 500. Essa segunda fatia, a mais premium, cresceu rápido: em 2025 representava 14% da amostra.

Na ponta mais enxuta, 19% dos brasileiros ainda conseguem manter o gasto entre R$ 11 e R$ 50 por mês — mas essa faixa vem encolhendo, já que em 2025 reunia 23% dos consumidores. A leitura é direta: o brasileiro médio está migrando para planos mais caros, não abandonando o modelo de recorrência.

Quem ganha: streaming, nuvem e comida

Entre as categorias, o streaming de vídeo segue disparado na liderança, presente em 79% das assinaturas dos brasileiros — número que não surpreende, mas confirma que serviços como Netflix e afins continuam sendo a porta de entrada do consumo recorrente. Atrás dele aparecem armazenamento em nuvem (43%) e aplicativos de comida (42%), sinal de que a recorrência já não é exclusividade do entretenimento e avança sobre produtividade e rotina.

A categoria que mais chama atenção, porém, é a de inteligência artificial: 34% dos brasileiros já pagam por alguma ferramenta de IA, um patamar que dificilmente existiria há três anos e que reforça como assistentes e copilotos deixaram de ser nicho para virar linha de orçamento doméstico.

Quem perde: o cartão de crédito domina, mas o Pix ameaça

No pagamento dessas assinaturas, o cartão de crédito segue como método preferido, usado por 65% dos consumidores — um reflexo do parcelamento e do acúmulo de pontos. O Pix, ainda em segundo lugar com 16%, é o método que mais cresce e tende a pressionar o modelo de cobrança recorrente das plataformas nos próximos anos, especialmente diante da preferência dos bancos por reduzir a dependência de bandeiras.

O que vem a seguir

O dado mais relevante para quem vende assinatura, porém, é a expectativa: 51% dos brasileiros dizem que pretendem gastar ainda mais com esse tipo de serviço nos próximos cinco anos, o maior índice já registrado na série histórica da pesquisa. Para as empresas de recorrência, o recado é claro — o teto de R$ 100 mensais, que já foi referência de bolso do consumidor brasileiro, virou passado.

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