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IA26 de set. de 2026, 16:39

Astra e Claude Opus 5 decifram mensagens Enigma que resistiam desde 2005

Dois modelos de IA de fronteira, da OpenAI e da Anthropic, quebraram mensagens do Enigma nazista que ficaram sem solução por décadas — retomando o trabalho de decodificação iniciado por Alan Turing.

Por Marina Sato · Repórter de IA

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Duas mensagens, décadas de espera, dois dias de IA

Sete mensagens cifradas pela máquina Enigma nazista seguiam sem solução até esta semana — uma delas intrigava pesquisadores desde 2005. Dois modelos de IA de fronteira, um da OpenAI e outro da Anthropic, decifraram duas dessas mensagens em experimentos separados, segundo reportagem do TechCrunch publicada em 25 de setembro. O feito retoma, décadas depois, o trabalho de criptoanálise que Alan Turing ajudou a pioneirar contra o Enigma na Segunda Guerra Mundial.

Quem fez o quê

O desenvolvedor Carter Leffen pediu ao Astra — nome dado a um modelo de fronteira da OpenAI — que vasculhasse um banco de dados de mensagens Enigma em busca de alguma ainda não decifrada. O modelo foi além do pedido: fez pesquisa arquivística própria, localizou pistas de contexto, construiu um simulador da máquina Enigma e recuperou o texto original de uma mensagem que resistia desde 2005.

O criptoanalista Jack Willis seguiu outro caminho. Usando o Claude Opus 5, modelo da Anthropic, ele decifrou uma segunda mensagem em 21 de setembro — mas com bem mais intervenção humana, incluindo a assinatura conhecida do nome de um oficial específico, que serviu de pista para quebrar o código.

O que os especialistas dizem

Frode Weierud, pesquisador que acompanha o trabalho de decodificação do Enigma há anos, validou a solução de Leffen com o Astra e classificou o resultado como digno de "pasmo". Em suas palavras, o modelo se comportou "como um criptoanalista e pesquisador de arquivo muito profissional" — e completou em dois dias o que, segundo ele, "levaria semanas ou até meses" a um pesquisador humano.

O que ainda falta provar

Os dois casos não são equivalentes. O Astra trabalhou de forma mais autônoma, enquanto o Opus 5 dependeu de uma pista humana decisiva. Ainda restam cinco mensagens Enigma sem solução, mais uma com texto original já conhecido mas cuja cifra não foi reconstruída. Não há, até agora, metodologia publicada nem revisão por pares que comprove replicabilidade do processo em outras mensagens sem pistas de contexto tão específicas. Resta saber se o resultado é um salto genuíno de capacidade de raciocínio ou um caso pontual, dependente de sorte documental e da mão humana por trás do prompt.

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