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Ciência23 de set. de 2026, 20:56

AstroForge testa IA transformer para pilotar sonda sem comando humano

A startup de mineração de asteroides vai lançar em 2027 a missão Autonomy-1, com um modelo de IA batizado de Solo assumindo o controle da espaçonave sem nenhum comando da Terra. Antes disso, o sistema passa por um teste em "modo sombra" ainda em 2026.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: uma sonda sem ninguém no controle remoto

Imagine uma espaçonave que se separa do foguete e, a partir daquele momento, não recebe mais nenhum comando da Terra — nenhum ajuste de rota, nenhuma correção de emergência digitada por um engenheiro. É essa a proposta confirmada da AstroForge, startup americana de mineração de asteroides fundada em 2022 e que já levantou cerca de US$ 56 milhões em capital de risco, segundo o TechCrunch.

O que já está confirmado

A empresa batizou de Solo o modelo de inteligência artificial baseado em arquitetura transformer, desenvolvido internamente, que vai comandar a missão Autonomy-1. Segundo o TechCrunch, Solo não é um único modelo monolítico: é uma pilha de controle que combina algoritmos tradicionais de navegação, modelos menores treinados para subsistemas específicos (como geração de energia) e uma camada de inteligência geral treinada com dados de cerca de 2.500 sensores da própria espaçonave, responsável por resolver anomalias sozinha.

O lançamento da Autonomy-1 está previsto para 2027, no primeiro voo do foguete da Stoke Space, com apoio da NASA, e tem como objetivo coletar dados científicos sobre o Sol. Antes disso, ainda em 2026, o Solo vai ser testado em "modo sombra" a bordo da missão DeepSpace-2 — ou seja, rodando em paralelo aos sistemas convencionais, sem assumir o comando de fato, para os engenheiros avaliarem seu comportamento antes de confiar a operação real a ele.

O CEO e cofundador Matthew Gialich descreveu a abordagem ao TechCrunch como uma "autonomia restrita com entrada de sensor muito baixa" — ou seja, a IA opera dentro de limites definidos, não como um agente com liberdade irrestrita.

O que é hipótese (ainda a provar)

Se o Solo vai realmente conseguir resolver anomalias complexas sem intervenção humana em condições reais de voo é algo que só o teste em modo sombra e, depois, a própria Autonomy-1 poderão comprovar. A aposta da AstroForge não vem de um histórico impecável: a missão anterior da empresa, a Odin, lançada em fevereiro de 2025 para observar o asteroide 2022 OB5, foi declarada perdida cerca de uma semana depois por falhas de comunicação — a companhia reconheceu limitações na infraestrutura terrestre de antenas capazes de rastrear espaçonaves distantes, segundo o TechCrunch.

Por que isso importa

A AstroForge é pouco conhecida do público geral, mas ocupa um nicho específico: tecnologia para viabilizar a mineração de recursos de asteroides próximos da Terra. Colocar uma IA autônoma no comando é, para a empresa, também uma resposta prática ao problema de comunicação que já comprometeu uma missão — sondas mais distantes enfrentam atraso de sinal e escassez de antenas, o que torna operação remota cada vez mais limitada.

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