
Astrônomos medem galáxia IC 1101, a maior já confirmada, com 1,7 milhão de anos-luz
Imagens profundas do telescópio Isaac Newton, nas Ilhas Canárias, permitiram traçar a borda exata da IC 1101, que reúne cerca de 3,4 trilhões de massas solares em estrelas e é cerca de 20 vezes mais larga que o disco da Via Láctea.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana
Se a Via Láctea coubesse dentro da IC 1101, ela caberia cerca de 20 vezes lado a lado. A galáxia, suspeita de ser a maior conhecida desde a década de 1990, teve seu tamanho comprovado com precisão pela primeira vez: 1,7 milhão de anos-luz de diâmetro, o equivalente a 520 quiloparsecs, com cerca de 3,4 trilhões de massas solares em estrelas.
Como a medição foi feita
Uma equipe liderada por Carlos Marrero-de la Rosa, do Instituto de Astrofísica de Canarias, usou a Wide Field Camera do telescópio Isaac Newton, de 2,5 metros, no Observatório de Roque de los Muchachos, em La Palma, Espanha. As imagens usadas datam de 2022 e são as mais profundas já obtidas da IC 1101, captadas com exposições longas para registrar luz extremamente fraca.
O desafio não era só fotografar a galáxia — era descobrir onde ela termina e onde começa o material difuso do aglomerado ao redor. Os pesquisadores analisaram como a distribuição de luz, a cor das estrelas, a massa estelar e o formato da estrutura mudam à medida que se afastam do centro. A transição encontrada, a 260 quiloparsecs do núcleo, marca a borda confirmada do corpo estelar principal.
O que é confirmado e o que ainda é hipótese
Confirmado: a IC 1101, no centro do aglomerado Abell 2029, tem agora tamanho e massa estelar medidos com precisão — algo que estudos anteriores não haviam conseguido cravar, mesmo já apontando que a galáxia era descomunal.
Hipótese: estruturas externas ainda mais tênues, situadas além da borda confirmada, sugerem que a IC 1101 continua incorporando material de galáxias menores por interações gravitacionais. Os próprios autores tratam esse crescimento contínuo como algo a confirmar em observações futuras, não como fato estabelecido.
Por que isso importa
Medir com precisão onde uma galáxia gigante termina ajuda a calibrar modelos de formação de aglomerados cósmicos e a entender os limites físicos do crescimento galáctico. A IC 1101 segue sendo o principal laboratório natural para essa pergunta.