
Ataques do Irã deixam AWS sem recuperar dados de clientes no Golfo
A Amazon confirmou que não vai restaurar o acesso a dados hospedados em data centers atingidos por mísseis no Bahrein e nos Emirados Árabes durante o conflito entre EUA e Irã.
Por Marcos Silva · Repórter de plantão
Seis meses depois, dano é permanente
A Amazon Web Services (AWS) confirmou, em comunicado de 15 de setembro, que não vai conseguir restaurar o acesso a dados de clientes hospedados em três instalações na região ME-CENTRAL-1, no Golfo Pérsico. Duas ficam em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e uma em Manama, no Bahrein.
O anúncio chega mais de seis meses depois dos ataques. A ofensiva entre Estados Unidos, Israel e Irã começou no fim de fevereiro, e os primeiros mísseis atingiram os data centers da AWS em 1º de março. Houve novas interrupções em março, abril e julho.
O que foi perdido
Segundo a AWS, as três zonas de disponibilidade no Bahrein foram afetadas, e uma das três zonas dos Emirados — identificada internamente como "mec1-az2" — ficou irrecuperável.
"Determinamos que não conseguiremos restaurar o acesso aos recursos e dados hospedados exclusivamente" nessas zonas, disse a empresa. Em outro trecho do comunicado, a AWS reconheceu a dimensão do problema: "o dano à nossa infraestrutura atingiu múltiplas zonas de disponibilidade e superou o que nossos serviços regionais e multi-AZ foram projetados para suportar."
A Guarda Revolucionária do Irã, força militar de elite ligada diretamente ao regime iraniano, reivindicou os ataques como resposta ao apoio da Amazon a operações militares e de inteligência dos Estados Unidos.
Quem foi afetado
A AWS orienta clientes com cargas de trabalho nas zonas destruídas a migrar para outras regiões. A empresa diz que a maioria já fez a migração usando backups, mas não informou quantos clientes ficaram sem acesso definitivo a dados que não tinham cópia fora dessas instalações.
Falta a Amazon detalhar publicamente que tipo de dado foi perdido e quantas empresas ainda não conseguiram recuperar suas operações. Também não há, até agora, posição do governo americano sobre eventuais indenizações a clientes afetados pela guerra.