
Austin, Boston e mais 4 cidades dos EUA lideram ranking global de IA pública
Estudo da consultoria de pesquisa ThoughtLab aponta Austin, Boston, San Francisco, San Jose, Seattle e Washington D.C. como as cidades americanas mais avançadas no uso de inteligência artificial na gestão pública. Gestão de dados, infraestrutura e cibersegurança lideram os usos.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
Seis cidades americanas na liderança global de IA pública
Um novo estudo da ThoughtLab, consultoria de pesquisa que avalia o impacto de tecnologia em negócios e cidades usando métodos quantitativos e qualitativos, colocou seis cidades dos Estados Unidos entre as líderes globais em uso de inteligência artificial na gestão pública: Austin, Boston, San Francisco, San Jose, Seattle e Washington D.C.
Como cidadã, a primeira pergunta é óbvia: liderar em quê, exatamente, e com que dinheiro público? A pesquisa, batizada de "People-First AI-Powered City", ouviu 526 líderes municipais em 215 cidades pelo mundo entre julho e agosto de 2026. Os critérios de avaliação incluíram design centrado no cidadão, governança, cibersegurança e desenvolvimento de dados e talentos preparados para IA — ou seja, não é só sobre ter um chatbot bonito na prefeitura.
Foto: reprodução/cities-today.com
Onde a IA está sendo usada de fato
Os números do levantamento mostram onde o dinheiro e o esforço estão concentrados: 80% dos líderes municipais pesquisados usam IA para gestão de dados e infraestrutura, e 76% aplicam a tecnologia em cibersegurança e privacidade. São as duas aplicações mais citadas no estudo, o que faz sentido — antes de prometer IA que resolve buraco na rua, a prefeitura precisa saber onde estão seus próprios dados e proteger os sistemas de ataques.
Também chama atenção que 65% dos líderes veem a IA como fator de competitividade econômica para suas cidades. Mas antes de comprar esse discurso, vale olhar o outro lado da planilha.
Quem fiscaliza, e quanto isso custa
O estudo é direto sobre as travas: 85% dos líderes apontam custos como barreira para adotar IA, e 82% citam escassez de talento qualificado. Ou seja, mesmo as cidades que aparecem como destaque enfrentam o mesmo problema de qualquer prefeitura brasileira — falta orçamento e falta gente capacitada para rodar os projetos depois do anúncio.
Outro dado que merece nota: apenas 60% das cidades pesquisadas nomearam um líder formal de IA, e só 27% têm uma estratégia integrada para o tema. Na prática, isso significa que a maioria ainda está testando ferramentas de forma isolada, sem um plano único que amarre segurança, dados e atendimento ao cidadão.
O que fica para quem acompanha de fora
A pesquisa não detalha, pelo menos nas informações divulgadas, quanto cada uma das seis cidades investiu ou qual órgão fiscaliza o uso desses sistemas depois da implementação — perguntas que continuam abertas e que valem acompanhar nos próximos relatórios da ThoughtLab. Para quem no Brasil discute parcerias de IA em prefeituras, o recorte é útil como referência: gestão de dados e cibersegurança vêm antes de qualquer promessa de atendimento automatizado, e a conta de custo e talento aparece em primeiro lugar nas barreiras — aqui e lá.