
Austrália amplia banimento de óculos inteligentes em público
Sydney proíbe óculos inteligentes com câmera em piscinas, academias e bibliotecas após relatos de mulheres filmadas sem consentimento, seguindo restrições já adotadas em Queensland e Victoria.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
Onde a cidade decidiu que a câmera não entra
Quem frequenta piscina pública, academia ou biblioteca em Sydney já não pode mais levar óculos inteligentes com câmera embutida pra dentro desses espaços. A prefeitura de Canterbury-Bankstown, uma das regiões da Grande Sydney, foi a primeira a aprovar um banimento amplo dos dispositivos em todas as piscinas públicas sob sua gestão, seguida pela própria cidade de Sydney, que estendeu a proibição a academias, creches, bibliotecas e prédios municipais — incluindo vestiários de instalações esportivas.
O motivo é concreto, não é paranoia regulatória: relatos de mulheres filmadas sem consentimento em piscinas e vestiários, com parte do material supostamente compartilhado depois nas redes sociais. É esse tipo de caso — e não um risco hipotético — que motivou o texto aprovado pelo conselho municipal.
Foto: reprodução/abc.net.au
Como isso se compara a outras cidades
Sydney não está sozinha. Governos locais de Queensland e Victoria, outros dois estados australianos, já tinham adotado restrições parecidas antes de Canterbury-Bankstown seguir o mesmo caminho. Fora da Austrália, tribunais da Inglaterra e do País de Gales também proíbem óculos inteligentes em suas dependências, e cinemas britânicos vêm adotando a mesma restrição pra evitar gravação clandestina de filmes — mostrando que o problema da câmera discreta embutida em acessório do dia a dia já é pauta de regulação em mais de um continente.
Quem fiscaliza — e quem fica de fora da regra
A fiscalização, no caso de Sydney, fica a cargo dos próprios funcionários dos espaços públicos afetados — piscina, biblioteca, creche —, que passam a poder pedir a retirada do dispositivo ou a saída de quem se recusar. A lei australiana de privacidade, vale lembrar, não trata gravação em espaço público como crime na maioria dos casos, a não ser que envolva áudio ou assédio comprovado — o que deixa a decisão de banir mais nas mãos de cada prefeitura do que de uma lei federal única.
Há exceção prevista: pessoas com deficiência visual ou auditiva que dependem do dispositivo como ferramenta de acessibilidade não são impedidas de usá-lo. A pergunta que fica pro cidadão comum é outra: sem uma lei nacional, cada visita a uma cidade diferente pode significar uma regra diferente sobre o que dá pra levar no rosto.