
Automattic reverte saída de Mullenweg e o recoloca como CEO
Conselho da dona do WordPress.com havia afastado o fundador com licença remunerada na terça; três dias depois, confirmou a volta dele ao cargo.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa: três dias
Foram só três dias entre a queda e a volta. Na terça-feira (9), o conselho da Automattic, dona do WordPress.com e de produtos como Tumblr e WooCommerce, votou para afastar Matt Mullenweg, fundador do WordPress, colocando-o em licença remunerada sem dar explicação pública. No sábado (12), a mesma empresa confirmou que ele está de volta: "presidente e CEO da Automattic, com total apoio do conselho."
Como foi a queda
O board colocou o CFO Mark Davies como CEO interino assim que afastou Mullenweg. A reação veio rápido: o fundador foi ao Slack interno da empresa acusar membros do conselho de armar uma "conspiração" contra ele e, na sequência, removeu os administradores do sistema, retomando o controle da plataforma de comunicação interna antes mesmo de qualquer acordo formal com o board.
Quem sai do tabuleiro
Toni Schneider, membro fundador do conselho e hoje CEO do Bluesky, rede social concorrente do X que nasceu de um projeto incubado pela própria Automattic, aparentemente deixou a mesa após o desfecho. Mullenweg tratou o episódio como a quinta tentativa de "golpe" contra ele na história da empresa — e reagiu à própria volta com uma piada pública sobre comprar um barco, em vez de um comunicado oficial mais sóbrio.
O que ainda não fechou a conta
A Automattic não detalhou publicamente o motivo da tentativa de afastamento. Parte da imprensa americana associa o episódio à disputa jurídica de longa data entre Mullenweg e a WP Engine, provedora de hospedagem que ele acusa de explorar a marca WordPress sem contribuir de volta ao projeto open source — mas isso segue sem confirmação oficial das partes. Para uma empresa privada que já foi avaliada em bilhões de dólares e sustenta boa parte da infraestrutura de publicação da web aberta, a falta de transparência sobre uma disputa de poder desse tamanho é o que ainda intriga o mercado.
Atualização (14/09, 16:00): A crise no comando da Automattic teve um novo capítulo nesta segunda-feira (14/9): segundo o TechCrunch, os próprios conselheiros que haviam votado pelo afastamento de Matt Mullenweg da cadeira de CEO deixaram o conselho da empresa. Saíram Sue Decker e a general Ann Dunwoody, removidas por Mullenweg após retomar o controle, e Toni Schneider, CEO fundador da Automattic e hoje à frente da rede social Bluesky, que renunciou voluntariamente ao cargo de conselheiro.
Os três, junto com o CFO Mark Davies, haviam votado na semana de 9 de setembro para colocar Mullenweg em licença remunerada — decisão revertida em poucos dias, com o fundador retomando o cargo de CEO em 12 de setembro após ficar afastado por apenas 33 horas e 20 minutos. Em nota, a Automattic afirmou ter "grande respeito por todos os envolvidos" e disse ser "grata pelas contribuições deles à Automattic e à sua missão".
A saída em bloco dos conselheiros que tentaram destituí-lo reforça a narrativa de que o retorno de Mullenweg se deu com apoio pleno do conselho remanescente, embora a composição final do órgão ainda não tenha sido totalmente esclarecida.