
Avião elétrico de 11 toneladas voa pela 1ª vez nos EUA e custa R$25 no ar
O X1, protótipo da sueca Heart Aerospace, decolou em Plattsburgh (NY) por 27 minutos e alcançou 335 metros de altitude. É o maior avião só a bateria já voado — mas o modelo comercial ainda depende de certificação prevista para 2028.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana: 11 toneladas no ar, só na bateria
Na quarta-feira (12/08), o X1 — protótipo em escala real da sueca Heart Aerospace — decolou do Aeroporto Internacional de Plattsburgh, em Nova York, e ficou 27 minutos no ar, alcançando cerca de 335 metros de altitude. Não é um daqueles eVTOLs de dois lugares que vira e mexe pousa em capa de revista: o X1 tem 11,3 toneladas de peso de decolagem, 32 metros de envergadura e voou usando só energia de bateria, com um sistema de propulsão elétrica que passou de 1 megawatt de potência. Segundo a empresa, é o maior avião movido a bateria já voado.
O que está confirmado
Foto: reprodução/olhardigital.com.br
O voo cumpriu o perfil completo — táxi, decolagem, subida, manobras e pouso — sob certificado experimental autorizado pela FAA. E o dado que virou manchete: consumiu cerca de US$ 5 em eletricidade, enquanto o combustível de aviação convencional estava cotado a US$ 3,50 o galão no mesmo período. É uma comparação e tanto, mas vale o contexto — é o custo energético de um voo de teste de meia hora, não uma conta fechada de operação comercial com toda a infraestrutura que isso exige.
O que ainda é promessa
O X1 não é o avião que vai carregar passageiros. Ele é uma plataforma de validação para o ES-30, o modelo que a Heart Aerospace quer certificar: uma aeronave híbrido-elétrica regional para até 30 passageiros, com entrada em serviço prevista para 2031. A montagem da primeira unidade pré-produção do ES-30 já começou, e os testes de voo da versão final estão marcados para 2028 — ou seja, ainda há duas rodadas de certificação e alguns anos de trabalho técnico pela frente antes de qualquer bilhete ser vendido.
A empresa já tem interesse comercial reservado: United Airlines e Air Canada estão entre as companhias de olho no ES-30, atraídas pela promessa de redução de até 40% nos custos operacionais frente a aviões regionais tradicionais — um número que é projeção da própria Heart Aerospace, não um resultado medido em operação real.
O CEO Anders Forslund resumiu o feito em nota: "com o primeiro voo do X1, a Heart Aerospace demonstrou voo elétrico na escala de uma aeronave comercial". É uma prova de conceito real e um marco técnico genuíno para a aviação elétrica — mas a distância entre um protótipo de 27 minutos e uma frota comercial certificada ainda é medida em anos, não em meses.