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IA06 de nov. de 2026, 07:46

Backlash com política de IA do Google nas escolas abre espaço pro DuckDuckGo

Após o Google ameaçar cortar a Busca de escolas que desativassem o Gemini, o DuckDuckGo lançou uma versão sem IA e começou a cortejar distritos escolares americanos.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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O estopim

O Google anunciou que contas de estudantes do ensino básico (K-12) nos Estados Unidos passariam a ter o Gemini, o Gemini Notebook, o Gemini for Classroom e a própria Busca Google desativados por padrão, cabendo às escolas habilitar manualmente cada ferramenta. O detalhe que gerou a polêmica: segundo a empresa, "busca e IA estão profundamente integradas" — então, se a escola não ativasse os recursos de IA, os alunos também perderiam acesso à própria Busca Google. Em bom português: a mensagem lida por críticos foi "usa nossa IA ou fica sem buscador".

Os dois lados

Políticos reagiram rápido. O senador Bernie Sanders chamou a medida de "extorsão", e o senador Richard Blumenthal acusou o Google de priorizar empurrar o Gemini para dentro das escolas em vez do aprendizado dos alunos. Sob pressão, o Google recuou parcialmente: escolas já podem desativar o Gemini e as ferramentas de IA autônomas sem perder acesso à Busca — mas ainda não conseguem desligar os recursos de IA embutidos dentro da própria busca. Do lado do Google, o argumento é que buscar e responder com IA se tornaram tecnicamente inseparáveis no produto; do lado das escolas, a queixa é não ter opção de escolha.

A manobra do DuckDuckGo

A DuckDuckGo, buscador americano que não rastreia histórico de navegação para personalizar anúncios, aproveitou a brecha. A empresa lançou o noai.duckduckgo.com, uma versão do seu buscador que já vem com recursos de IA desativados por padrão, sem exigir nenhuma configuração manual, e passou a divulgar um passo a passo para distritos escolares trocarem o Google pelo DuckDuckGo como buscador padrão. O fundador e CEO, Gabriel Weinberg, foi direto: "forçar IA em crianças de escola é assim que um monopolista se comporta quando pensa que as pessoas não têm poder de escolha".

O que fica sem resposta

Não está claro quantas escolas de fato trocaram de buscador até agora, nem se o recuo parcial do Google — permitir desativar o Gemini sem perder a Busca — já havia sido anunciado quando o DuckDuckGo lançou sua campanha, o que ajudaria a entender se a ofensiva chegou antes ou depois da empresa amenizar a própria política.


Atualização (05/11, 22:01): O Google se posicionou publicamente após a onda de críticas à sua política de IA para escolas. A empresa confirmou que instituições de ensino poderão manter a Busca tradicional ativa sem precisar habilitar o aplicativo Gemini — ou seja, é possível bloquear o chatbot e outras ferramentas como Gemini Notebook e Gemini in Classroom.

O problema é que essa "escolha" não inclui a busca com inteligência artificial: segundo Chris Phillips, vice-presidente e gerente geral do Google for Education, em declaração ao The New York Times, a Busca e a IA estão profundamente integradas. Na prática, não existe opção para desligar separadamente os resumos de IA (AI Overviews) que aparecem no topo dos resultados ou o modo conversacional AI Mode — as escolas são forçadas a escolher entre abrir mão da Busca ou aceitar a IA embutida nela. As mudanças devem entrar em vigor no início de 2027.

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