
Ballistic Ventures busca US$ 490 milhões em meio a boom de cibersegurança
A gestora especializada em cibersegurança fundada por Ted Schlein, ex-sócio da Kleiner Perkins, arquivou junto à SEC dois novos fundos somando US$ 490 milhões, aproveitando a disparada de startups de defesa digital impulsionadas por IA.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 490 milhões é o número que importa
US$ 490 milhões: é esse o total que a Ballistic Ventures, gestora de venture capital especializada em cibersegurança fundada em 2021, busca levantar em dois movimentos simultâneos, segundo documentos arquivados na SEC, a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos. São US$ 360 milhões destinados ao terceiro fundo principal da gestora e outros US$ 130 milhões para um veículo separado, batizado de Ballistic Ventures Fund B. Até a publicação dos documentos, nenhum dos dois fundos registrava captação confirmada.
Contextualizando os múltiplos
Foto: reprodução/techbuzz.ai
O valor do novo fundo principal repete exatamente o tamanho do fundo anterior, levantado em 2024 — sinal de que a Ballistic buscou manter o mesmo porte em vez de inflar a tese para cima, postura mais conservadora num momento em que captações de VC em geral enfrentam ciclos mais longos. Já o Fund B replica o tamanho do Fund A, veículo satélite usado para apostas adicionais fora da estratégia principal. A gestora foi fundada por Ted Schlein, ex-sócio por mais de duas décadas da também gestora de venture capital Kleiner Perkins, ao lado de Barmak Meftah, ex-presidente da AT&T Cybersecurity, e Roger Thornton, cofundador da Fortify Software e da AlienVault — um time com histórico direto dentro do setor que está buscando capital.
O boom que sustenta a tese
O pano de fundo é um boom concreto: empresas habilitadas por IA responderam por cerca de 72% dos negócios de venture capital em cibersegurança nos Estados Unidos até maio deste ano, contra 36% em 2019, segundo dados citados pela reportagem. Startups americanas do setor levantaram US$ 11,5 bilhões em 2025, o maior volume desde 2022. O argumento é direto: se ataques cibernéticos impulsionados por IA generativa estão crescendo em sofisticação e volume, a defesa também precisa de ferramentas baseadas em IA — e isso cria uma nova geração de startups em busca de capital.
Quem ganha e quem perde
Quem ganha é a própria Ballistic, que amplia munição para disputar as rodadas mais concorridas do momento, e fundadores de startups de segurança nativas de IA, que ganham mais um comprador relevante na mesa. Quem sente a pressão são gestoras rivais como a Forgepoint Capital e a Ten Eleven Ventures, ambas especializadas em cibersegurança e citadas como concorrentes diretas na disputa por bons negócios e por capital de investidores institucionais — quanto mais dinheiro entra no setor, mais caras ficam as rodadas e menor a margem de negociação para quem levanta depois.