
Banco Central cria grupo para combater ameaças enviadas via Pix
O Banco Central formou um grupo de trabalho para estudar formas de coibir xingamentos e ameaças enviados pelo campo de mensagens do Pix. A entidade avalia agora se vai instituir medidas regulamentares.
Por Marcos Silva · Repórter de plantão
Grupo de estudo nasceu em março
O Banco Central formou, na 28ª Reunião Plenária do Fórum Pix, em 26 de março de 2026, um grupo de estudo para propor formas de coibir o uso do campo de mensagens do Pix para xingamentos e ameaças. O prazo inicial para a entrega de uma proposta terminou em 30 de junho. Agora, o BC afirma que vai avaliar as conclusões do trabalho.
Segundo o próprio Banco Central: "Com base nas conclusões desse trabalho, o BC avaliará e instituirá, se julgar necessário, as medidas regulamentares adequadas para coibir o uso inadequado do campo de mensagens."
Foto: reprodução/convergenciadigital.com.br
Não há data para o anúncio de mudanças concretas no aplicativo ou no sistema.
O padrão identificado
Levantamentos citados pelo BC mostram um padrão recorrente: mensagens ofensivas costumam acompanhar transferências de valores muito baixos, quase simbólicos. O uso é associado a casos de violência doméstica, em que agressores usam o Pix para manter contato com vítimas mesmo depois de bloqueados em outros canais de comunicação.
Breno Lobo, chefe adjunto do Departamento de Competição e de Estrutura do Mercado Financeiro do BC, coordena o grupo.
As diretrizes do trabalho
O Fórum Pix definiu seis diretrizes para orientar qualquer proposta futura:
- educar o usuário sobre o uso correto do campo de mensagens
- preservar a fluidez da experiência de pagamento
- dar transparência ao pagador sobre eventual filtro aplicado
- garantir aplicabilidade universal, sem custo excessivo às instituições
- separar medidas obrigatórias de medidas opcionais
- definir o que conta como "valor trivial" de transferência
O que mais está em jogo no Pix
O grupo de mensagens ofensivas caminha em paralelo a outras mudanças no sistema. O BC estuda o Pix por Aproximação, funcionalidade off-line semelhante a cartões por NFC, e já expandiu o Pix Automático a partir de julho, permitindo que contas-salário iniciem transferências recorrentes automaticamente.
Falta ao Banco Central dizer se vai adotar bloqueio automático de mensagens, moderação humana ou apenas orientação ao usuário — e quando.