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Smart Cities04 de set. de 2026, 08:56

Banco Central negocia levar o Pix para pagamentos em euros na Europa

O BC estuda conectar o Pix ao TIPS, sistema de pagamentos instantâneos da zona do euro, para permitir que brasileiros paguem em euros direto da conta no Brasil.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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O que aconteceu

O Banco Central do Brasil está negociando a interligação do Pix ao TIPS (Target Instant Payment Settlement), a infraestrutura de pagamentos instantâneos do Eurosistema que permite transferências entre pessoas e empresas em segundos, operando 24 horas por dia — algo como um "Pix europeu", que já processa liquidações em euros, coroas suecas e dinamarquesas. A ideia entrou no cronograma de trabalho do Banco Central Europeu (BCE), que descreve o momento atual como uma "investigação preliminar" sobre a viabilidade jurídica, técnica, operacional e de segurança da conexão.

A linha do tempo divulgada prevê aprofundamento da análise de viabilidade entre outubro de 2026 e março de 2027, fase de implementação entre abril de 2027 e junho de 2028, com operação técnica esperada para novembro de 2027 e piloto operacional em junho de 2028. No Brasil, nove áreas do Banco Central participam dos estudos de governança e compatibilidade técnica — mas a instituição não respondeu oficialmente aos pedidos de informação da imprensa, embora técnicos tenham confirmado internamente que as discussões estão em curso.

Foto: reprodução/bpmoney.com.br

Quem é afetado

Se a integração sair do papel, qualquer brasileiro com Pix cadastrado poderia, em tese, pagar em euros em lojas e mercados na Europa via QR Code, com conversão cambial feita na hora — sem precisar de cartão internacional ou trocar dinheiro antes da viagem. Do lado europeu, o mesmo valeria para quem usa o TIPS e quisesse pagar em reais no Brasil.

Mas dá pra comparar com o que já existe: cidades e países que adotaram sistemas de pagamento instantâneo interligados, como os elos entre Pix e Singapura (PayNow), mostram que esse tipo de integração leva anos entre o anúncio e o uso real — e o cronograma do BCE, que só prevê piloto em 2028, confirma esse ritmo lento.

Quanto custou e quem fiscaliza

A reportagem original não traz valores de investimento nem detalha quem vai arcar com os custos técnicos da integração dos dois sistemas. Um ponto de atenção levantado por Thiago Cavalcanti, da Associação Nacional dos Bancos Comerciais (ANBCB), é a necessidade de taxas de câmbio "explícitas" e as menores possíveis — ou seja, ainda não está claro quanto o consumidor vai pagar para converter reais em euros dentro do sistema, nem qual órgão vai fiscalizar essas tarifas. O tema ganhou peso político depois que o Pix virou alvo de críticas do governo dos Estados Unidos sob Donald Trump, que colocou o sistema no centro de uma disputa internacional sobre controle de infraestrutura de pagamentos.

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