
Bancos e Blackstone destravam R$ 340 bi em chips para a Anthropic
Broadcom, bancos e Blackstone estruturam acordo de US$ 63 bilhões para comprar chips e alugá-los à Anthropic, via sociedade de propósito específico. Entregas começam em 2027.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 63 bilhões para alugar chips
São US$ 63 bilhões — cerca de R$ 340 bilhões na cotação atual — o tamanho do acordo que Broadcom, fabricante de chips, três grandes bancos e a gestora Blackstone, gigante global de investimentos alternativos, fecharam para financiar a infraestrutura de IA da Anthropic, criadora do Claude e rival da OpenAI. O valor supera o de boa parte das rodadas de capital de risco já registradas no setor de tecnologia e mostra a escala que o financiamento de hardware de IA atingiu em 2026.
Como funciona o acordo
A engenharia financeira é a mesma usada em grandes projetos de infraestrutura, como usinas e ferrovias: cria-se uma sociedade de propósito específico (SPV, na sigla em inglês), uma empresa separada que compra os aceleradores e equipamentos de rede da Broadcom e depois os aluga à Anthropic. Esse desenho tira o peso da dívida do balanço da própria Anthropic — que pediu registro para IPO nos EUA nesta semana — e distribui o risco entre os financiadores.
Bank of America, Citigroup e Morgan Stanley organizam a fatia de dívida com garantia prioritária (sênior), enquanto a Blackstone é a única responsável pela dívida de segunda garantia, mais arriscada e com retorno maior. A Broadcom, por sua vez, oferece uma garantia de valor residual aos chips — um compromisso de que os equipamentos manterão valor mesmo que fiquem obsoletos antes do previsto. As primeiras entregas de chips estão marcadas para 2027.
Quem ganha com isso
Para a Broadcom, o acordo garante uma venda bilionária de chips já contratada, reforçando sua posição como alternativa à Nvidia no fornecimento de hardware para IA. Para os bancos e a Blackstone, é uma aposta de longo prazo com garantias financeiras elaboradas para mitigar o risco de uma eventual desaceleração na demanda por IA. Já a Anthropic consegue a capacidade computacional de que precisa para treinar e operar modelos cada vez maiores sem precisar levantar todo esse montante em caixa ou diluir ainda mais seus acionistas — uma peça adicional do quebra-cabeça bilionário que sustenta a corrida das big techs por poder de processamento.
O acordo se soma a outro financiamento anterior, de US$ 35 bilhões, estruturado por Apollo e pela própria Blackstone, elevando ainda mais a exposição financeira em torno da infraestrutura de IA da empresa.