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MercadoGadgets21 de ago. de 2026, 14:22

Banida pela FCC, distribuidora de robôs chineses monta fábrica nos EUA

RoboStore, maior revendedora americana da chinesa Unitree, cria a Robo Inc. e investe em unidade própria de montagem após proibição de robôs móveis estrangeiros por risco à segurança nacional.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Mais de 1.500 robôs vendidos é a base que sustenta o pivô

A RoboStore, maior distribuidora americana de robôs humanoides e quadrúpedes da chinesa Unitree, já vendeu e entregou mais de 1.500 unidades a clientes como Cisco, OpenAI, Nvidia e mais de 150 universidades, segundo o fundador e CEO Teddy Haggerty. Agora a empresa lança a Robo Inc., companhia irmã que vai montar e integrar robôs em solo americano, com fábrica de 66 mil pés quadrados em Long Island, Nova York, e previsão de operação plena no primeiro trimestre de 2027.

O movimento é resposta direta a uma decisão da FCC, em 28 de julho, que incluiu robôs móveis avançados fabricados no exterior — humanoides, quadrúpedes e robôs autônomos acima de 4,4 libras com sensoriamento e conectividade — na sua "Covered List", lista de equipamentos considerados risco à segurança nacional dos EUA por vulnerabilidades de cadeia de suprimentos e cibersegurança. Ficam de fora modelos já homologados antes da decisão, compras do governo federal e braços robóticos fixos.

China domina a produção, EUA correm atrás

O recorte de mercado explica a urgência: a China responde por 80% a 90% dos robôs humanoides embarcados globalmente até agora e detém mais da metade das instalações mundiais de robôs industriais. Para especialistas ouvidos pelo setor, o banimento da FCC repete o roteiro dos drones, categoria em que os EUA perderam capacidade produtiva para fabricantes chineses há cerca de uma década — e querem evitar repetir o erro na robótica humanoide.

O modelo da Robo Inc. é descrito como "global-to-local": o hardware pode continuar vindo de fábricas estrangeiras, mas montagem final, integração de software e testes de segurança passam a ocorrer nos Estados Unidos, num movimento de conformidade regulatória que a própria empresa apresenta como diferencial. "Com montagem baseada nos EUA, infraestrutura de dados localizada e integração doméstica, a Robo Inc. vai criar uma plataforma robótica construída para a conformidade americana", diz material da empresa.

Quem ganha e quem perde

A Unitree perde a via direta de venda de novos modelos ao mercado americano, mas mantém receita como fornecedora de hardware dentro da cadeia da Robo Inc., enquanto segue com pedido de IPO em Xangai avaliado em mais de US$ 900 milhões. Fabricantes americanos e aliados, como a Standard Bots — que levantou US$ 200 milhões em rodada Série C para expandir manufatura doméstica — junto de nomes como ABB, FANUC e Yaskawa, ganham espaço de mercado, ainda que analistas do setor alertem que a escala de produção americana ainda está longe de substituir a oferta chinesa. Já clientes institucionais, como as universidades atendidas pela RoboStore, podem sentir no bolso e no prazo de entrega o custo de transição para uma cadeia de suprimentos ainda em formação nos EUA.

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