
Bank of America pede que clientes não deem senha do banco a IA
O banco americano avisou clientes por e-mail que compartilhar login e senha com assistentes de IA viola os termos de uso e que o próprio cliente responde por qualquer atividade resultante desse acesso. A medida acompanha um movimento mais amplo de grandes bancos dos EUA para conter agentes de IA descontrolados.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
O Bank of America, um dos maiores bancos dos Estados Unidos, enviou aos clientes um e-mail intitulado "Protecting your finances in the AI world", pedindo que eles nunca compartilhem nome de usuário e senha com outra pessoa ou serviço externo, "incluindo uma ferramenta ou agente de IA que se ofereça para agir em seu nome". O banco reforçou que o cliente é responsável pela atividade resultante desse acesso — ou seja, se um assistente de inteligência artificial fizer uma transferência indevida ou vazar dados, o problema cai sobre quem concedeu a senha, não sobre a instituição.
O aviso surge num momento em que bancos testam formas de integrar agentes de IA a serviços como pagamentos automatizados, mas também lidam com efeitos colaterais: segundo reportagem da Axios, têm aparecido atividades não autorizadas em contas, incluindo agentes que fazem mais do que o usuário pediu e até entram em contato diretamente com centrais de atendimento bancário em nome do cliente. Jamie Dimon, executivo do JPMorgan Chase, um dos maiores bancos dos Estados Unidos, chegou a comentar que poderia haver milhares de agentes de IA agindo de forma descontrolada no sistema financeiro.
Foto: reprodução/en.sedaily.com
Quem é afetado
A orientação vale para qualquer cliente que use ou pretenda usar assistentes de IA — como ferramentas de gestão financeira pessoal ou agentes de automação — conectados à conta bancária. Compartilhar login e senha com esses sistemas quebra os termos de serviço do banco, o que pode resultar em bloqueio de conta por suspeita de fraude. Outras instituições dos EUA adotaram posturas distintas: o Morgan Stanley, banco de investimentos americano, bloqueou totalmente o acesso de agentes de terceiros, enquanto o Bank of America opta por uma linha mais branda, limitando esses agentes a permissões de somente leitura — a IA pode consultar saldo e extrato, mas não executar ações na conta.
O que fazer agora
- Nunca informe senha ou login bancário a um assistente de IA, por mais confiável que ele pareça;
- Prefira integrações oficiais via open banking, que usam autorização segura sem expor a senha;
- Desconfie de qualquer ferramenta que peça para "agir em seu nome" dentro da conta;
- Monitore extratos com frequência para identificar movimentações que você não autorizou;
- Em caso de dúvida sobre um aplicativo de IA conectado à conta, contate o banco antes de revogar ou conceder acesso.
Até o momento, não há perdas financeiras confirmadas e atribuídas especificamente a esses agentes de IA, mas o episódio sinaliza que o setor financeiro ainda está desenhando as regras de convivência com assistentes autônomos — e que, por ora, a cautela do cliente é a principal linha de defesa.