
Base ativa do Bluesky encolhe 52% desde o pico pós-eleição nos EUA
Usuários mensais do Bluesky caíram de 22,1 milhões no fim de 2024 para 10,7 milhões no segundo trimestre de 2026, enquanto a empresa aposta suas fichas no protocolo AT Proto, não só no app.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
52% é a fatia de usuários que o Bluesky perdeu em um ano e meio
O Bluesky tinha, em média, 22,1 milhões de usuários ativos mensais no quarto trimestre de 2024 — auge do êxodo de usuários do X após as eleições americanas daquele ano. No segundo trimestre de 2026, esse número caiu para 10,7 milhões, uma queda de mais de 52% no período. No recorte mais recente, junho de 2026, o app mobile somou 10,4 milhões de usuários ativos mensais, 27,2% a menos na comparação anual, e os usuários ativos diários no mobile caíram 25,6% ano a ano em julho, para cerca de 3 milhões. A taxa de engajamento (proporção entre usuários diários e mensais) está em torno de 29%.
Quem perde: o app, que já teve pico de hype
Foto: reprodução/techcrunch.com
Os números contrastam com a base de cadastrados, hoje próxima de 46 milhões — sinal de que boa parte de quem criou conta no auge do êxodo do X simplesmente parou de abrir o aplicativo. É o retrato clássico de uma onda de adoção movida por evento político que não se sustentou como hábito recorrente.
Quem ganha (pelo menos na narrativa da empresa): o protocolo, não o app
A resposta do Bluesky ao encolhimento é reposicionar a própria missão. Sob o recém-efetivado CEO Toni Schneider — que assumiu a cadeira em caráter permanente em julho de 2026, após ser interino desde março, e é fundador da Automattic (dona do WordPress.com e Tumblr) — a empresa vem sinalizando que o app Bluesky é apenas uma vitrine do AT Proto, o protocolo descentralizado que sustenta a rede. A estratégia inclui investir em produtos como o Attie, ferramenta de busca com IA, o Skylight, app focado em vídeos, e apoiar projetos de terceiros construídos sobre o protocolo, como BlackSky e Eurosky.
O que isso significa para o mercado
Para Schneider, uma base de usuários menor no app-mãe pode incomodar menos do que incomodaria em outras redes, já que o sucesso, na nova métrica da empresa, não está mais atrelado a fazer o Bluesky (o aplicativo) crescer, mas a fazer o AT Proto virar infraestrutura para um número crescente de apps e serviços sociais. É uma aposta que muda o parâmetro de vitória: enquanto o app perde tração, a empresa tenta convencer o mercado de que o valor real está em outro lugar — no protocolo, não na interface que mostrava esses números em queda.