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Ciência23 de set. de 2026, 20:56

Bateria de papel engolível alimenta dispositivos médicos por três dias

Pesquisadores do MIT testaram em porcos uma bateria bioabsorvível do tamanho de uma lentilha que gera até 1,84 volt e se dissolve sozinha no estômago.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Do tamanho de um disco de 7,5 milímetros de diâmetro — pouco maior que uma lentilha — ou de uma barra de 24 milímetros, do tamanho de uma unha de dedão, a nova bateria desenvolvida por pesquisadores do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts, uma das universidades mais renomadas em engenharia do mundo) foi pensada pra ser engolida e alimentar dispositivos médicos de dentro do próprio corpo.

O que já está confirmado

Foto: reprodução/news.mit.edu

O estudo, publicado na revista científica Nature Chemical Engineering e liderado pelo engenheiro mecânico Giovanni Traverso com o pesquisador Mehmet Girayhan Say, testou a bateria em porcos. Ela combina um ânodo de liga de magnésio com um cátodo de trióxido de molibdênio e carbono ativado, unidos por nanofibrilas de celulose — material que dá a estrutura porosa parecida com papel — e revestidos por cera de abelha, que protege o dispositivo do ácido estomacal.

Nos testes, a bateria chegou a gerar até 1,84 volt e manteve o funcionamento por até três dias antes de começar a se degradar. Em 20 minutos de estimulação elétrica no estômago dos animais, os pesquisadores registraram aumento médio de cerca de 50% nos níveis de grelina, hormônio ligado à sensação de fome — sem sinais de dano ao tecido nos animais testados.

O que ainda é hipótese

A equipe também testou a transmissão de sinal por RFID a até 1,5 metro de distância, mirando aplicações futuras como sensores que detectam sangramento gastrointestinal e cápsulas que liberam remédio no momento certo. Nada disso está em uso clínico: são protótipos, e a degradação completa dos materiais no organismo leva algumas semanas — período que os pesquisadores ainda monitoram pra garantir que não sobra resíduo tóxico.

Quem bancou a pesquisa

O projeto teve financiamento da farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, do Departamento de Engenharia Mecânica do MIT, da Divisão de Gastroenterologia do Hospital Brigham and Women's e da agência de pesquisa em saúde ARPA-H, dos Estados Unidos. O próximo passo, segundo os autores, é testar formulações que aumentem a duração da carga além dos três dias já alcançados.

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