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Mercado31 de ago. de 2026, 20:57

Bateria de VE perde só 2,3% de autonomia por ano, mostram dados reais

Levantamentos da Geotab e da Recurrent com dezenas de milhares de veículos derrubam o mito da degradação acelerada: a perda anual de capacidade fica entre 1,8% e 2,3%, e quem carrega devagar sai ganhando.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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2,3% ao ano é o número que importa

Esqueça o boato de garagem de que a bateria do carro elétrico "despenca" no primeiro ano. O levantamento mais recente da Geotab, feito com 22.700 veículos de 21 modelos diferentes, aponta degradação média de 2,3% ao ano — praticamente o mesmo patamar identificado no estudo inicial da empresa, em 2019-2020, e acima dos 1,8% medidos em 2023. Do lado da Recurrent, que já processou mais de 1,61 bilhão de km rodados por VEs nos Estados Unidos, o retrato é ainda mais favorável ao consumidor: a autonomia média cai para 97% após três anos e para 95% após cinco. Passado esse período, 68% dos carros elétricos ainda superam a autonomia original certificada.

A reportagem do Canaltech que reacendeu o debate resume bem o consenso que vem se formando entre quem monitora frotas: "a perda anual existe, mas acontece de forma muito mais lenta do que se imaginava". A métrica usada para medir isso é o SoH (State of Health, ou Estado de Saúde), e as fabricantes já embutem essa confiança nas garantias — hoje de até oito anos ou 160 mil km para o pacote de baterias.

Foto: reprodução/geotab.com

Quem ganha e quem perde

Quem sai ganhando é o consumidor que hoje hesita em comprar um elétrico usado por medo da autonomia sumir. Os dados da Geotab mostram que, mantendo a taxa de 2,3% ao ano, uma bateria ainda retém 81,6% da capacidade original depois de oito anos — patamar suficiente para não comprometer o uso diário do carro. A Recurrent reforça esse cenário com um dado ainda mais concreto: a taxa de substituição de baterias em modelos 2022 em diante é de apenas 0,3%, ou seja, trocar o pacote por degradação virou exceção, não regra.

Do outro lado, o hábito de recarga rápida frequente é o que mais penaliza. A Geotab isolou o efeito do carregador DC de alta potência (acima de 100 kW): quem usa esse tipo de carga com frequência chega a 3,0% de degradação ao ano, contra 1,5% de quem carrega majoritariamente em corrente alternada. Clima quente soma outros 0,4 ponto percentual ao ano. Ou seja, quem carrega devagar e evita calor extremo economiza bateria — e dinheiro de revenda.

O que fica para trás

Quem perde terreno é o discurso alarmista sobre "vida útil curta" de baterias, que ainda pesa na precificação de elétricos seminovos no mercado brasileiro. Com fabricantes recomendando manter a carga entre 20% e 80% para baterias NMC — e uma carga completa semanal para equilibrar células LFP —, o cuidado do motorista segue sendo a variável que mais separa uma bateria de oito anos saudável de uma que decepciona antes da hora.

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