
Baterias de carro elétrico retêm 90% da capacidade após 150 mil km, diz estudo
Levantamento com mais de 500 mil testes reais em 20 modelos populares mostra que a degradação das baterias de veículos elétricos é bem menor do que motoristas costumam temer.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana: quase toda a bateria original ainda está lá
Depois de rodar 150 mil quilômetros — mais ou menos quatro vezes a volta pelo litoral brasileiro, ou o equivalente a alguns anos de uso intenso de um carro por aplicativo — a bateria de um carro elétrico usado ainda retém, em mediana, entre 86% e 94% da capacidade original, segundo um estudo da Aviloo, empresa austríaca especializada em diagnóstico de saúde de baterias.
O que está confirmado pelo estudo
A Aviloo analisou mais de 500 mil testes de SoH ("state of health", ou saúde da bateria, métrica que mede quanto da capacidade original de carga ainda está disponível) feitos em 20 modelos populares de elétricos entre 2022 e 2026, coletados na América do Norte, América do Sul, Europa, Ásia e Oceania. O modelo com melhor desempenho foi o Mercedes-Benz EQA, com SoH mediano de aproximadamente 94% após 150 mil km. Mesmo o pior resultado mediano do levantamento ficou na faixa de 86% a 87% de capacidade original preservada.
O estudo também mostrou que a degradação varia bastante mesmo dentro de um mesmo modelo — a diferença entre o melhor e o pior exemplar de um mesmo carro chegou a 13,5 pontos percentuais. No Tesla Model Y, por exemplo, a saúde da bateria variou de 82,9% a 94,9% depois de cerca de 241 mil km rodados; no BMW i4, a faixa foi de 87,5% a 96,9%.
O que é hipótese ou explicação, não medição direta
Segundo a Aviloo, fatores como clima quente, uso frequente de carregamento rápido e o hábito de manter a bateria carregada a 100% por longos períodos ajudam a explicar por que exemplares do mesmo modelo envelhecem de forma tão diferente — um Model Y rodado em clima quente e carregado sempre em eletropostos rápidos pode estar em pior estado do que um exemplar rodado mais, mas carregado majoritariamente em casa, durante a noite. Essa é uma correlação apontada pelos autores do estudo, não uma relação de causa comprovada teste a teste.
Por que isso importa para quem compra usado
Garantias de fabricantes costumam cobrir a bateria por oito anos ou até 160 mil km, com substituição gratuita caso a capacidade caia abaixo de 70%. Os números da Aviloo sugerem que, na prática, a maioria dos carros elétricos usados está bem longe desse patamar mesmo depois de rodar bastante — o que pode reduzir o receio de quem hesita em comprar um elétrico de segunda mão por medo da troca cara da bateria.