
Baterias ficam mais baratas que turbinas a gás em data centers de IA
Levantamento da Wood Mackenzie mostra armazenamento de 4 horas mais barato que turbinas a gás em 43 dos 48 mercados globais, com fila de espera de até 4 anos por turbinas.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
Baratas em 43 de 48 mercados globais
43 dos 48 mercados de energia analisados pela Wood Mackenzie, consultoria global de energia, já têm baterias de armazenamento de 4 horas de duração mais baratas do que turbinas a gás natural de ciclo aberto — tecnologia usada para gerar energia de reserva (peaking) em muitos data centers. O levantamento faz parte do relatório global de Custo Nivelado de Eletricidade (LCOE) da consultoria, divulgado em 8 de outubro.
Segundo Ahmed Jameel Abdullah, analista principal da Wood Mackenzie, a virada de preço é resultado direto do boom de data centers de inteligência artificial: desenvolvedoras desses data centers estão comprando qualquer turbina disponível no mercado, o que inflou os preços e esgotou a oferta.
Foto: reprodução/woodmac.com
Filas de até quatro anos por turbina
O gargalo de oferta é o dado mais concreto do relatório: o prazo de entrega de turbinas a gás de ciclo aberto já está entre 2 e 4 anos, enquanto turbinas de ciclo fechado têm filas que se estendem até o início da década de 2030. A Wood Mackenzie descreve o cenário como um "déficit de oferta" no investimento em capacidade de geração a gás que deve persistir até o final dos anos 2030, puxado pelo crescimento da carga de data centers.
A diferença regional também aparece no relatório: no Oriente Médio e na África, o armazenamento de 4 horas custa hoje US$ 120 por megawatt-hora, com projeção de queda de 33% até 2035, para US$ 80/MWh — o suficiente, segundo a consultoria, para deslocar o gás de peaking em custo em todos os mercados de gás da região. Na China, o custo de armazenamento já é 55% mais barato que a média do resto da Ásia-Pacífico.
Quem ganha: baterias e solar; quem perde: turbinas a gás
A projeção da Wood Mackenzie é que essa trajetória só deve se acentuar: o custo da eletricidade de baterias deve continuar caindo nas próximas décadas, enquanto o custo da eletricidade gerada por turbinas a gás deve subir, pressionado pela escassez de equipamentos, volatilidade do preço de combustíveis e custos de carbono. A energia solar de eixo único, segundo o mesmo relatório, continua sendo a tecnologia de geração mais barata em 43 dos 48 mercados estudados — o mesmo recorte de mercados em que as baterias já superam o gás.
O resultado prático é uma inversão de prioridades para quem planeja a próxima geração de data centers: cada vez mais, bateria deixa de ser apenas um complemento de rede e passa a competir diretamente, em preço, com a opção que por anos foi padrão para energia de reserva.