Beehiiv sobe mensalidade em até 27% e irrita criadores
A plataforma de newsletters pagas aumentou os planos pagos em até 27%, e criadores como Tim Stevens e Matt Brown dizem que a conta não fecha mais, principalmente para quem está fora dos EUA e tem poucos assinantes.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O reajuste
27% de aumento é o que criadores com até 10 mil assinantes no plano intermediário da Beehiiv, plataforma de criação e monetização de newsletters pagas que cresceu como alternativa ao Substack, passam a pagar a partir de agora. O plano, rebatizado de Lite (antigo Scale), salta de US$ 109 para US$ 139 mensais. No plano superior, agora chamado Pro (antigo Max), a conta sobe de US$ 219 para US$ 239, alta de cerca de 9%. É apenas o segundo reajuste de preços da empresa em quase cinco anos de operação.
A justificativa
Tyler Denk, cofundador e CEO da Beehiiv, diz que o dinheiro extra financia investimento contínuo na "experiência central da plataforma" — fluxo de publicação, automações, ferramentas de crescimento e infraestrutura de entrega. Como contrapartida, o plano Pro passou a suportar até 250 mil assinantes (ante 100 mil antes) e o desconto no plano anual aumentou para até dois meses grátis. A comissão sobre receita de assinaturas pagas continua em 0%, o principal argumento de venda da empresa frente à concorrente.
Quem reclama
A reação entre criadores não foi de festa. Tim Stevens, jornalista freelancer que usa a plataforma, disse que o aumento de 25% torna sua operação "um empreendimento ainda menos lucrativo", justamente num momento em que as taxas de patrocínio e anúncios que ele recebe caíram. Matt Lombardo, da newsletter Between the Hashmarks, criticou a ausência de recursos como podcasts em vídeo e rede de anúncios para podcast — ou seja, reajuste sem entrega equivalente para quem monetiza por outras vias. Já Matt Brown, da Extra Points, apontou um problema estrutural: para criadores fora dos Estados Unidos com menos de 10 mil assinantes, a conta deixa de fechar.
Quem ganha, quem perde
No cabo de guerra com o Substack, plataforma rival de newsletters pagas que cobra 10% de comissão sobre toda assinatura paga, a Beehiiv ainda sai na frente financeiramente para criadores de maior receita: quem fatura mais de US$ 390/mês em assinaturas já paga menos na Beehiiv do que pagaria de comissão no Substack. O problema é a base da pirâmide — criadores pequenos e internacionais, que migraram para a Beehiiv justamente para escapar de taxas percentuais, agora enfrentam mensalidade fixa mais alta sem crescimento proporcional de receita. A empresa aposta que reter os criadores grandes compensa perder parte da cauda longa. Resta saber se o mercado vai concordar.