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Mercado06 de out. de 2026, 21:28

Benchmark aporta US$ 25 milhões na Furientis e estreia em defesa

A gestora do Vale do Silício liderou rodada seed que avalia a startup de interceptores de mísseis em US$ 125 milhões, sinalizando a guinada do venture capital tradicional para o setor de defesa.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que muda o jogo

US$ 25 milhões. É esse o valor que a Furientis, startup americana que quer produzir em massa interceptores de mísseis de baixo custo, acaba de captar em uma rodada seed liderada pela Benchmark, gestora de venture capital do Vale do Silício conhecida por apostas pioneiras em Twitter, Uber e eBay. O aporte avalia a companhia, fundada há apenas um ano em Los Angeles, em US$ 125 milhões — e marca a primeira vez que a Benchmark investe diretamente em uma empresa pura de defesa.

De tabu a tese de investimento

Até pouco tempo atrás, fundos de VC evitavam o setor bélico: o investimento era visto como moralmente controverso e o ciclo de contratos governamentais, longo demais para justificar capital de risco. Esse cálculo mudou com os conflitos recentes que expuseram a defasagem do arsenal americano. Segundo o cofundador da Furientis, Brody Franzen, a Marinha dos EUA recebe hoje entre 300 e 500 mísseis interceptadores por ano, enquanto a China afirma produzir 3.000 mísseis de cruzeiro antinavio por mês — uma disparidade que, segundo ele, chega a um fator de cem.

A guinada da Benchmark não é um caso isolado. Segundo dados do PitchBook, plataforma de dados sobre mercado de capital de risco, o setor de defesa tech captou US$ 12,3 bilhões em capital de risco desde o início de 2026, quase o dobro do mesmo período do ano anterior.

Quem são os fundadores e o que já conquistaram

A Furientis foi criada por Brody Franzen, ex-engenheiro-chefe adjunto da Virgin Galactic que passou pela Castelion — startup de mísseis hipersônicos avaliada em US$ 13 bilhões —, e por Aris Simsarian, que liderou testes de motores de foguete na Virgin Orbit. Com apenas US$ 5 milhões captados em uma rodada pré-seed em maio de 2026, a dupla já havia realizado cerca de uma dúzia de lançamentos de teste bem-sucedidos. A empresa também já fechou seu primeiro contrato financiado com o Departamento de Guerra dos EUA para o desenvolvimento de um veículo interceptador de 100 milhas de alcance voltado à defesa doméstica.

Quem ganha e quem perde

O aporte reforça a disputa por espaço num mercado já ocupado por nomes como Anduril, Castelion e Shield AI, e posiciona a Furientis entre as apostas de fundos tradicionais que buscam diversificar teses além do software puro. Para o Pentágono, a entrada de capital privado agressivo promete acelerar a oferta de interceptores mais baratos diante da escassez crônica de estoques. Já para fabricantes tradicionais de defesa, acostumados a contratos de longo prazo e margens elevadas em sistemas de altíssimo custo, o modelo de produção em massa da Furientis — pensado desde o início para escalar a 1.000 unidades por ano em uma única fábrica — representa uma ameaça direta ao padrão de negócio estabelecido.

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