
Benchmark fecha US$ 2 bi em fundos e mantém ritmo lento mesmo na euforia da IA
Gestora do Vale do Silício levanta seu primeiro fundo de crescimento em 31 anos e contrata Jack Altman, irmão do fundador da OpenAI, como sócio.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa: US$ 2 bilhões
A Benchmark, uma das gestoras de capital de risco mais tradicionais do Vale do Silício, fechou captações de US$ 2 bilhões em dois fundos — o 12º fundo “clássico” da casa, de US$ 750 milhões, e o primeiro fundo de crescimento da história da firma, de US$ 1,25 bilhão. É apenas a segunda vez em 31 anos de existência que a gestora amplia sua estrutura de capital dessa forma.
O movimento chama atenção porque rompe, em parte, com a identidade da Benchmark: a casa sempre se vendeu como enxuta, com poucos sócios e cheques concentrados em apostas de estágio inicial. Lançar um fundo de growth — destinado a aportes maiores, em empresas já mais maduras — é uma concessão ao momento atual do mercado, em que rodadas bilionárias de startups de inteligência artificial infla ram as avaliações e deixaram fundos só de estágio inicial com menos espaço para competir.
Quem entra no jogo
Outra mudança de peso veio em fevereiro: Jack Altman, irmão do fundador da OpenAI, Sam Altman, e até então à frente de sua própria gestora, a Alt Capital, se juntou à Benchmark como sócio-geral, ao lado de Everett Randle, que veio da Kleiner Perkins. A dupla reforça o time histórico — formado por nomes como Peter Fenton, Eric Vishria e Chetan Puttagunta — justamente no momento em que a demanda por acesso a negócios de IA nunca esteve tão alta.
Quem ganha e quem perde
Apesar do capital extra, os sócios dizem manter a cadência histórica: de dois a três investimentos novos por sócio ao ano, com reuniões semanais sem pauta fixa. A lógica, segundo a gestora, é que um ou dois investimentos concentram até 90% do retorno de cada fundo — o que torna disciplina mais importante que volume.
Quem ganha com isso são fundadores que conseguem um dos cheques concentrados da Benchmark, com acesso a um time que, historicamente, buscou proximidade em vez de escala. Quem perde é o restante do mercado de IA, inflado por rodadas cada vez maiores: a aposta da Benchmark é que, quando a euforia esfriar, cautela valha mais do que velocidade.