
BepiColombo completa quase 8 anos de viagem rumo a Mercúrio
Sonda europeu-japonesa separou o módulo de propulsão numa manobra de alto risco e deve entrar em órbita de Mercúrio em 21 de novembro.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana
Imagine viajar 6 bilhões de quilômetros pra chegar a um destino que, em linha reta, fica a menos da metade da distância entre a Terra e o Sol. Foi o trajeto da sonda BepiColombo, missão conjunta da ESA, a agência espacial europeia, e da JAXA, a agência espacial japonesa, lançada em outubro de 2018 e que nesta semana concluiu uma das manobras mais arriscadas de toda a jornada.
O que já é confirmado
Na quinta-feira (3), a cerca de 63 milhões de km do Sol, a espaçonave separou o módulo de propulsão que a acompanhou desde o lançamento — etapa que o chefe de operações da ESA, Ignacio Tanco, descreveu como "equivalente a lançar uma nova espaçonave", com "risco considerável" de falha. Como o atraso de comunicação entre a Terra e a sonda chega a 30 minutos, a manobra precisou ser executada de forma autônoma pelo próprio veículo.
Restam agora dois módulos: o orbitador europeu MPO e o orbitador japonês Mio, que vão se separar um do outro em dezembro. A entrada em órbita de Mercúrio está prevista para 21 de novembro, com início das operações científicas em abril de 2027 — atraso de quase dois anos frente ao plano original, causado por uma falha no sistema elétrico solar identificada em 2024.
O que ainda é hipótese
Os cientistas da missão querem confirmar se existe gelo de água em crateras permanentemente sombreadas nos polos do planeta, entender a origem do campo magnético de Mercúrio e explicar por que ele tem densidade desproporcional ao tamanho — é o menor planeta do sistema solar. Nenhuma dessas perguntas tem resposta ainda: são objetivos que os instrumentos dos dois orbitadores só vão tentar responder a partir de 2027, quando a fase científica começar de fato.