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Mercado23 de set. de 2026, 20:55

Bessemer levanta US$ 5,75 bi em dois fundos para apostar tudo em IA

A gestora americana de venture capital fechou US$ 1,75 bilhão para seed e early-stage e US$ 4 bilhões para growth, ampliando uma tese que já colocou US$ 3 bilhões em mais de 260 startups de IA desde 2022.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa

São US$ 5,75 bilhões. É o total que a Bessemer Venture Partners, gestora de venture capital americana com mais de quatro décadas de histórico e uma das primeiras investidoras em techs como Shopify e Waymo, acabou de levantar em dois novos fundos — e a aposta, mais uma vez, é em inteligência artificial.

O dinheiro vem dividido em duas frentes. US$ 1,75 bilhão vai para investimentos seed e early-stage, mirando founders que estão captando logo na largada. Os outros US$ 4 bilhões são destinados a rodadas de growth, para startups que já provaram tração e levantam cheques maiores em valuations mais altos. É uma estrutura pensada para acompanhar uma empresa do primeiro cheque até fases avançadas de expansão, sem precisar ceder espaço a outros fundos ao longo do caminho.

Não é a primeira aposta

A Bessemer não está entrando de gaiato nesse mercado. Desde 2022, a gestora já colocou mais de US$ 3 bilhões em startups nativas de IA — mais de 260 empresas, segundo a própria firma. O foco declarado cobre praticamente toda a cadeia: infraestrutura de computação, modelos fundamentais, ferramentas para desenvolvedores, aplicações finais e a chamada tecnologia de agentes.

O portfólio de IA da casa já inclui nomes como Anthropic (criadora do modelo de linguagem Claude), Cognition, Perplexity (buscador com respostas geradas por IA) e Ramp, além de apostas mais antigas como Shopify (plataforma de e-commerce) e Waymo (unidade de carros autônomos do grupo Alphabet).

A tese por trás do cheque

Em comunicado, Byron Deeter, sócio da Bessemer, resumiu o racional do fundo: "empresas nativas de IA estão escalando mais rápido do que qualquer categoria de tecnologia que já apoiamos antes". A gestora também defende que a permanência mais longa de startups no mercado privado — adiando IPOs — deixou de ser uma anomalia de ciclo e virou "uma mudança estrutural permanente" no jogo de venture capital.

Por que isso importa

O movimento reforça uma tendência que já não é novidade: capital institucional segue se concentrando em IA, com gestoras tradicionais ampliando cheques para não perder espaço em rounds concorridos. Para founders, mais capital disponível pode significar valuations sustentados mesmo em um ciclo que alguns analistas já chamam de bolha. Para o mercado como um todo, é mais um sinal de que a aposta em IA generativa segue sem sinais de desaceleração — pelo menos do lado de quem escreve os cheques.

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